André Matos, Bruce Dickinson e Klaus Meine: roqueiros? Não, aranhas!
Publicado em: 22/11/2021

Em 2019, Cristina Anne Rheims, pesquisadora do Laboratório de Coleções Zoológicas do Butantan e grande fã de rock, decidiu fazer uma homenagem ao fundador e vocalista da banda Angra, André Matos, falecido naquele ano: batizar uma espécie de aranha recém-descoberta com seu nome. Nascia assim a Extraordinarius andrematosi. A ela, depois, se uniram a Extraordinarius brucedickinsoni, em reconhecimento a Bruce Dickinson, do Iron Maiden; a Extraordinarius klausmeinei, que leva o nome de Klaus Meine, vocalista do Scorpions; e Extraordinarius rickalleni, uma homenagem ao baterista do Def Leppard Rick Allen.

As Aranhas do Rock, como são conhecidas no Butantan, são da família Sparassidae e do gênero Extraordinarius e foram descobertas nas matas do sudeste brasileiro. Sua nomeação, apesar de inusitada, segue as regras de taxonomia (nomenclatura cientifica). “O gênero Extraordinarius é relativo a pessoas que são extraordinárias de alguma maneira”, explica Cristina.


 

O trabalho de taxonomia faz o público se aproximar da ciência, pois rememora pessoas de áreas como cultura e cinema, entre outras que não são diretamente ligadas à pesquisa. “É interessante porque você pode ser criativo e usar seu trabalho para atingir pessoas que normalmente não atingiria. Eu alcancei um público que não está acostumado a lidar com ciência. São pessoas ligadas à música e à cultura que não sabem o que é descrever uma espécie”, conta a pesquisadora.

 

Há muitas outras espécies ainda para serem descritas e que devem ser batizadas com o nome de grandes músicos para compor o grupo das Aranhas do Rock. Segundo Cristina, há cerca de cinco ou seis espécies que já tem definidos os próximos roqueiros que serão homenageados. Com o tempo, as novas integrantes da banda serão divulgadas para o público.

 

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