Você no Butantan - Paulo Simão, almoxarife
Publicado em: 07/02/2020

Nascido na cidade de Santo Antônio da Platina, no Paraná, Paulo Adão Simão mudou-se para Caxingui, em São Paulo, com a mãe e seus irmãos em 1969, à procura de uma melhor condição de vida. Cerca de sete anos depois, por indicação de uma conhecida, ele prestou e passou em um concurso público, obtendo uma boa classificação. O bom desempenho na prova lhe garantiu a entrada no Butantan na época, com o cargo de auxiliar de serviços gerais. Hoje, aos 63 anos, é almoxarife. "Entra ano, sai ano e continuo firme e forte. Vi jovens começarem aqui bem novinhos, construírem carreiras longas e eu pude acompanhar tudo. Viraram meus amigos."  Foi assim que começou a longa jornada do famoso "Paulão do Almoxarifado". Confira a entrevista dele concedida ao Butantan Notícias.  

 

Butantan Notícias - Conte sobre sua trajetória profissional. Como ingressou no Instituto Butantan?

Paulo Simão – Estou trabalhando no Butantan há 43 anos. Passei em um concurso e entrei como auxiliar de serviços gerais, em agosto de 1976. Fiquei cerca de um ano e meio, depois trabalhei como pintor, na zeladoria. Trabalhei lá por 17 anos lá e voltei para cá. Comecei no almoxarifado e terminarei aqui também.

 

B.N. - Como é a sua rotina no trabalho?

Paulo - Chego aqui por volta das 6h20, tomo café e umas 6h55 abro meu ponto. Aí já pego a empilhadeira e começo a entregar os materiais. Trabalho na parte de distribuição e logística, abastecer os laboratórios e escritórios com materiais em geral. É isso até o final do dia.

 

B.N. - Você é sempre alto-astral assim?

Paulo -  Nas horas certas eu dou uma explosão, nas horas boas umas gargalhadas. Tem que ter equilíbrio. Gosto e admiro muita gente aqui e acredito que isso é reciproco, então, ser sempre assim é algo natural. Acho que puxei esse jeitinho da mamãe. Minha mãe tem 102 anos é muito independente, faz tudo sozinha. Ela é bem lúcida, até mais que a gente.

 

B.N. - Quais os desafios que você já enfrentou no trabalho?

Paulo -  Meu maior desafio foi em 2013, quando eu precisei ir para o Rio de Janeiro, cuidar da área de Cadeia de Frios. Lá, eu recebia vacinas e fazia conferências, acabava ficando muito sozinho. Isso durou cerca de um ano mais ou menos. Dava uma balançada, saudade da família e de casa porque eu voltava na sexta-feira, mas quando era segunda já estava embarcando de novo. Era bem difícil, mas acabei fazendo amizades e, com o tempo, ficou mais tranquilo.

 

B.N. - Teve algum momento aqui no Butantan que mais te marcou?

Paulo -  Vários, são muitos anos aqui, né? Mas tem um momento que é muito especial. Foi aqui, em 1986, que, por acaso, eu reencontrei a menina que conheci aos 13 anos de idade, lá em Caxingui. Hoje ela é minha esposa, estamos casados há 30 anos e temos dois filhos lindos. O Vinicius de 22 anos, que recentemente se formou em design e computação; e a Marina de 29, que é modelo.

 

B.N. - Em suas horas vagas, o que você gosta de fazer?

Paulo - Gosto de tomar uma cervejinha e bater-papo com a galera daqui, eles são bem bacanas. Às vezes, vamos para o #sextou. Chega o fim da semana, eles passam por aqui e falam “tá na hora da cervejinha da tarde”. Sempre vamos para algum barzinho perto e jogamos conversa fora. Ah, mas assuntos do Butantan são proibidos, viu? Esse é o momento de descansar com os amigos. Dou uma dura em quem tenta fazer isso! Também já joguei bastante futebol, hoje eu adoro colocar a camisa do time lá do bairro onde moro, uma bermuda e estou pronto. Vou para tudo quanto é lado assim. Minha esposa fica doida: “xi, colocou o uniforme!"

 

B.N. - Qual é seu maior sonho?

Paulo -  Continuar com esse espírito jovem, com a alegria de viver, não perder essa essência nunca. Sabemos que não vamos viver para sempre. Então, pelo menos, quero ter sempre esse jeito leve de viver. Agradeço a Deus todos os dias por estar vivo.

 

B.N. - O que o Butantan representa para você?

Paulo -  Representa absolutamente tudo. Comecei aqui sem nada e hoje eu tenho minha família, uma casa para morar, um carro bom para vir trabalhar e também passear. Então, tudo que tenho devo ao Instituto. 

 

(por Gabriela Ribeiro)