Além da Covid-19, enfrentamos outra epidemia: a de fake news; saiba como se proteger desse “vírus”

Notícias falsas podem até confundir, mas há formas de questionar a veracidade e a qualidade de seus conteúdos


Publicado em: 17/02/2022

As falsas notícias, também conhecidas como fake news, fazem parte da nossa vida há muito tempo. Em diversos momentos da história, mentiras se propagaram e foram vistas como verdade pela sociedade apenas por serem compartilhadas por pessoas influentes ou em publicações respeitáveis.

No início do século 20, no episódio conhecido como Revolta da Vacina, dezenas de pessoas morreram em consequência de um confronto que teve como base a propagação de notícias falsas de que as vacinas causavam mal às pessoas. Outra fake news famosa começou no início deste século, quando o médico britânico Andrew Wakefield publicou um artigo científico relacionando a vacina tríplice viral (para sarampo, caxumba e rubéola) ao autismo. Mais tarde descobriu-se que o médico havia sido pago para propagar as informações falsas por advogados interessados em mover ações contra indústrias farmacêuticas.

Mesmo depois de tanto tempo, as fake news continuam existindo, e pior, são cada vez mais numerosas! Mas sabia que dá para reconhecer uma notícia falsa de longe? Existem várias perguntas que você pode se fazer para descobrir se uma notícia é falsa ou não. Conheça algumas delas:

Onde essa notícia foi publicada? 

Uma das primeiras etapas para descobrir se algo é falso é olhar onde a notícia foi publicada. Se aquela informação foi dada por um grande veículo de imprensa, como um jornal ou revista de circulação nacional, um telejornal que você conhece ou um site de notícias conhecido, a chance de ser uma fake news é mínima. No caso da ciência, existem diversos portais especializados nos quais você pode confiar, como o site do Butantan, que publica diariamente notícias sobre a pandemia, e de outras instituições de pesquisa e focadas em divulgação científica. Sites governamentais ou de universidades também são boas fontes de informações confiáveis, além de agências de fomento ou organismos multilaterais internacionais. Por exemplo: se você quer saber sobre a Covid-19, uma ótima fonte de informação é o site em português da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) na América Latina.  

 

A informação apareceu em mais de um veículo de comunicação?

Outro aspecto que deve ser levado em consideração é a replicação da notícia. Se uma informação foi publicada apenas em um site que você não conhece, provavelmente não é confiável, certo? Quando você quiser saber se algo é verdadeiro, pesquise se ela apareceu em outros sites que você já tenha lido e nos quais confia. Se a mesma informação foi noticiada em vários jornais e sites, dificilmente vai ser falsa.

 

Quem é o autor da matéria?

Divulgar o nome do autor de uma matéria é uma ação corriqueira e costuma trazer credibilidade para as informações que estão sendo passadas. Quando a matéria tem autor, vale a pena pesquisar o nome para ver se ele realmente existe. Além disso, muitas fake news são apócrifas, ou seja, não trazem autoria. Se o texto estiver um site que você nunca ouviu falar e não disser quem é seu autor, abra o olho!

 

O texto segue a estrutura característica de uma matéria jornalística?

As matérias com informações falsas ou manipuladas, em geral, têm uma estrutura de texto frágil. Erros gramaticais, notícia sem começo, meio e fim, linguagem bastante opinativa, fontes que não são nomeadas ou citadas são alguns dos indicativos de que uma matéria pode ser uma fake news. Nos veículos jornalísticos tradicionais, um texto, antes de ser publicado, passa por edições que incluem checagem de informações e revisão textual. Se você encontrar diversos erros em um texto, é porque ele provavelmente não foi validado por ninguém com formação específica na área.

 

Quando essa notícia foi publicada?

Às vezes uma notícia é verdadeira, mas tirada de contexto ela se torna falsa. No início da pandemia, por exemplo, acreditava-se que completar o esquema vacinal de duas doses seria suficiente para conter o avanço do vírus SARS-CoV-2. Hoje, sabemos que a imunidade induzida pelas vacinas começa a cair após seis meses e que é preciso tomar dose de reforço. Se olharmos uma notícia antiga sobre esse assunto, ela pode soar como uma fake news, sendo que o que aconteceu foi que a ciência descobriu mais informações sobre a Covid-19 que não sabia no início de 2021. Por isso, a data de publicação é outro fator importante para verificar. Com o tempo, resultados e fatos mudam. 

 

Que tipo de sentimento essa notícia desperta?

Fake news são projetadas para gerar engajamento, ou seja, mobilizar o leitor para que ele tenha alguma reação – faça um comentário, compartilhe o link com outras pessoas, fale sobre o que descobriu no grupo da família ou na mesa do jantar. Nesse sentido, quanto mais forte for a sua reação ao texto, mais a fake news será bem-sucedida. Se você ficou muito surpreso ou sentiu muita repulsa com o que leu, é bom acender o sinal de alerta. Ou então se o texto só confirmou uma suspeita ou teoria que você sempre teve, mas para a qual nunca encontrou provas. 

Jornalismo de qualidade e confiável dá trabalho e custa caro. Desconfie do que você ler por aí e sempre busque se informar em mais de uma fonte. A pesquisa e o bom senso são as suas maiores almas para combater a pandemia de fake news.