Conheça nove estudos científicos que provam que a CoronaVac é eficiente também na terceira dose ou dose de reforço

As pesquisas mostram a proteção da vacina do Butantan inclusive na dose de reforço após o esquema primário


Publicado em: 28/06/2022

A eficiência da dose de reforço ou terceira dose da CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac contra a Covid-19, já foi comprovada cientificamente em diversos estudos realizados na China, na Turquia, no Chile e em outros países. Esses estudos analisaram a aplicação do imunizante em crianças, jovens, adultos, idosos, pessoas com comorbidade e outras imunossupressões e foram divulgados em revistas de renome internacional como Journal of Medical Virology, Nature Communications, Aging, Frontiers in Immunology, Emerging Microbes & Infections e The Lancet Global Health, entre outras. 

Para acabar de vez com as dúvidas e inverdades sobre esse assunto, o Butantan reuniu estudos publicados nos últimos meses que evidenciam, em diferentes contextos e populações, a eficiência da CoronaVac para proteger as pessoas da Covid-19 inclusive nas doses de reforço após o esquema primário.

 

Três doses de CoronaVac protegem da Covid-19 96,6% dos pacientes com câncer, mostra estudo turco

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Bezmialem Vakif, em Istambul, na Turquia selecionaram 2.578 pacientes com câncer, sendo que 2.094 pessoas (81,2%) haviam sido totalmente imunizadas com CoronaVac ou Pfizer e 484 (18,8%) não estavam vacinadas ou tomaram apenas a primeira dose. Todos os pacientes não vacinados ou com esquema vacinal incompleto tiveram Covid-19, enquanto apenas 94 dos mais de 2 mil imunizados foram infectados, resultando em uma proteção de 95,5%. Os indivíduos que tomaram dose de reforço tiveram ainda menos chance de ter a doença. Entre os que tomaram três doses de CoronaVac (386 indivíduos), a proteção foi de 96,6%.

The efficacy of BNT162b2 (Pfizer–BioNTech) and CoronaVac vaccines in patients with cancer
Journal of Medical Virology

 

Reforço da CoronaVac em idosos eleva em 43 vezes o nível de anticorpos, diz estudo chinês

Pesquisadores da Universidade de Fudan, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças das províncias de Hebei e de Jiangsu e da farmacêutica Sinovac conduziram dois ensaios clínicos de fase 2 para avaliar a imunogenicidade e a segurança de três doses da CoronaVac em 600 adultos, com idades entre 18 e 59 anos, e em 350 idosos, com 60 anos ou mais. No grupo de adultos, a dose de reforço elevou os níveis de anticorpos em 33 vezes com a dosagem de 6 µg (para 230,9) e em 21 vezes com a dose de 3 µg (para 143,3). O mesmo padrão foi verificado nos voluntários idosos: a terceira dose fez os anticorpos aumentarem 43 vezes (178,9, com 6 µg do imunizante) e 46 vezes (158,5, com 3 µg). Além disso, após a terceira dose, os anticorpos neutralizantes foram mantidos por mais tempo do que o observado após a segunda dose.

Six-month follow-up of a booster dose of CoronaVac in two single-centre phase 2 clinical trials
Nature Communications

 

Terceira dose da CoronaVac recupera soroconversão, mostra estudo chinês

Uma pesquisa conduzida em Fujian, na China, mostrou que, após a dose de reforço da CoronaVac, todas as pessoas analisadas recuperaram a imunidade e apresentaram soroconversão (produção de anticorpos) contra o SARS-CoV-2, com níveis elevados de anticorpos neutralizantes. O trabalho foi feito por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Xiamen e da empresa Xiamen Boson Biotech. Participaram do estudo 32 indivíduos com idade média de 35 anos que receberam o esquema primário da CoronaVac e, oito meses após a segunda dose, foram vacinados com a dose de reforço. A taxa de soroconversão atingiu 100% após 14 dias da terceira dose, assim como ocorreu depois da segunda. No entanto, na terceira dose, as altas taxas de soroconversão foram mantidas por três vezes mais tempo. 

A Third Dose of an Inactivated Vaccine Dramatically Increased the Levels and Decay Times of Anti-SARS-CoV-2 Antibodies, but Disappointingly Declined Again: A Prospective, Longitudinal, Cohort Study at 18 Serial Time Points Over 368 Days
Frontiers in Immunology

 

 

Dose de reforço da CoronaVac aumenta em 325 vezes os anticorpos IgG contra a ômicron, mostra estudo

Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Nanjing, na China, mostrou que a dose de reforço da CoronaVac induz uma potente resposta imune contra as variantes delta e ômicron do vírus SARS-CoV-2, aumentando de 300 a 500 vezes o nível de anticorpos específicos produzidos contra essas cepas. Os pesquisadores selecionaram 100 profissionais de saúde do Hospital da Universidade de Nanjing que receberam duas doses da CoronaVac em fevereiro de 2021. Após nove meses, quando a proteção contra o vírus SARS-CoV-2 reduz naturalmente, independente da vacina aplicada, uma terceira dose de CoronaVac foi administrada em 77 dos indivíduos. A dose de reforço da CoronaVac ativou a memória imunológica em todos os indivíduos. Antes da terceira dose, a titulação média dos anticorpos IgG anti-RBD (domínio de ligação ao receptor) era de 3.278 para o vírus original de Wuhan, 197 para a variante delta e 44 para a ômicron. Após o reforço, a titulação aumentou 17 vezes (para 56.760) contra a cepa original, 577 vezes (113.773) contra a delta e 325 vezes (14.336) contra a ômicron.

The Third dose of CoronVac vaccination induces broad and potent adaptive immune responses that recognize SARS-CoV-2 Delta and Omicron variants
Emerging Microbes & Infections

 

Dose de reforço da CoronaVac em crianças a partir dos 3 anos aumenta em 30 vezes os anticorpos contra Covid-19, mostra estudo

Um estudo clínico de fase 2 realizado na China com crianças e adolescentes durante o surto da variante ômicron do SARS-CoV-2 voltou a mostrar a eficácia do uso da CoronaVac no público infantil, sobretudo entre as crianças de 3 a 5 anos, grupo no qual a concentração de anticorpos foi superior aos demais. O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Província de Hebei, dos Institutos Nacionais de Controle de Alimentos e Medicamentos da China, e da Sinovac. Os cientistas avaliaram 346 crianças e adolescentes com idades entre 3 e 17 anos, separados em dois grupos. No grupo 1 (171 voluntários), a terceira dose da CoronaVac foi administrada após 10 meses da segunda dose. Já no grupo 2 (175 participantes), o reforço foi aplicado depois de 12 meses. No grupo 1, o nível de anticorpos neutralizantes contra o SARS-CoV-2 original subiu de 20,8 para 681, um aumento de 30 vezes, e 100% das crianças produziram anticorpos. Já contra a variante ômicron, a porcentagem de produção de anticorpos chegou a 90,6%. No grupo 2, os anticorpos neutralizantes aumentaram 29 vezes, de 21,7 para 745,2, e a taxa de soroconversão contra a cepa original chegou a 100%. Com relação à variante ômicron, a produção de anticorpos ocorreu em 91,5% dos participantes.

Safety and Cross-Reactive Immune Response Against the Omicron Variant of a Third Dose of CoronaVac, and Immune Persistence of Primary Immunization in Healthy Children and Adolescents: Interim Results from a Double-Blind, Randomised, Placebo-Controlled Phase 2 Clinical Trial
SSRN – plataforma de preprints da Lancet

 

Reforço homólogo com CoronaVac é tão eficiente quanto o heterólogo, mostra estudo com 4 milhões de pessoas

Uma pesquisa chilena mostrou que a dose de reforço homóloga (com a mesma vacina do esquema inicial de imunização) é tão eficiente quanto o reforço heterólogo (com uma vacina diferente). Os cientistas analisaram dados de mais de quatro milhões de pessoas do Chile que completaram o esquema de vacinação primário (duas doses) com a CoronaVac e receberam uma dose de reforço da CoronaVac, da AstraZeneca ou da Pfizer. No estudo, indivíduos vacinados com CoronaVac nas três doses apresentaram níveis de proteção acima de 80% contra hospitalizações, internações em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e mortes relacionadas à Covid-19, um resultado semelhante ao observado com o reforço de outras vacinas. A efetividade da terceira dose da CoronaVac foi de 86,3% contra hospitalizações, 92,2% contra admissões na UTI e 86,7% contra mortes.

Effectiveness of homologous and heterologous booster doses for an inactivated SARS-CoV-2 vaccine: a large-scale prospective cohort study
The Lancet Global Health

 

Estudo com 11 milhões de chilenos mostra eficácia da dose de reforço da CoronaVac acima de 85% contra casos graves

Um estudo feito por pesquisadores chilenos mostrou que a administração da dose de reforço da CoronaVac apresentou uma eficácia de 78,8% para casos sintomáticos, 86,3% para hospitalizações, 92,2% para internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e 86,7% para evitar mortes relacionadas à Covid-19. Esse é o maior estudo já feito sobre a eficácia da dose de reforço da CoronaVac e foi conduzido por pesquisadores do Ministério da Saúde do Chile, da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Chile, do Instituto Millenium e das faculdades de Medicina e de Saúde Pública da Universidade Harvard. A pesquisa foi realizada entre fevereiro e novembro de 2021 e envolveu 11,2 milhões de pessoas (58% da população do Chile), com idades a partir dos 16 anos, que haviam completado o esquema vacinal primário com CoronaVac e tomado a dose de reforço do mesmo imunizante. Na época, a variante delta era predominante no Chile.

Effectiveness of Homologous and Heterologous Booster Shots for an Inactivated SARS-CoV-2 Vaccine: A Large-Scale Observational Study
SSRN – plataforma de preprints da Lancet

 

 

Dose de reforço da CoronaVac administrada oito meses após a segunda dose aumenta em até cinco vezes os níveis de anticorpos neutralizantes 

Uma pesquisa conduzida por cientistas chineses da Universidade Fudan, da Sinovac e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças de Nanquim e Hebei mostrou que a dose de reforço da CoronaVac é capaz de aumentar de três a cinco vezes a produção de anticorpos neutralizantes em indivíduos adultos, incluindo idosos com mais de 60 anos. Na primeira análise, 271 participantes com idades entre 18 e 59 anos imunizados com a CoronaVac receberam a dose de reforço oito meses após a segunda dose, resultando em um aumento de três a cinco vezes nos títulos de anticorpos neutralizantes (NAb) contra o SARS-CoV-2 em comparação com os títulos de anticorpos neutralizantes após a segunda dose. Um segundo levantamento feito entre 303 adultos com 60 anos ou mais, que também receberam a dose de reforço oito meses após a segunda dose, mostrou que as concentrações de anticorpos neutralizantes aumentaram de 42,9 GMT (ou títulos médios geométricos) no dia 28 após a segunda dose para 158,5 GMT no dia 28 após a dose de reforço – um aumento de 3,7 vezes.

Immunogenicity and safety of a third dose of CoronaVac, and immune persistence of a two-dose schedule, in healthy adults: interim results from two single-centre, double-blind, randomised, placebo-controlled phase 2 clinical trials
The Lancet Infectious Diseases

 

Dose de reforço da CoronaVac aumenta mais de 12 vezes o nível de anticorpos de quem tomou duas doses da vacina

Pesquisadores do Instituto Milênio de Imunologia e Imunoterapia, da Pontifícia Universidade Católica do Chile; do Instituto de Imunologia La Jolla, da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos; e da Sinovac constataram que a dose de reforço da CoronaVac aumenta em mais de 12 vezes o nível de anticorpos de quem tomou as duas doses do imunizante há pelo menos cinco meses. O estudo foi realizado com 129 voluntários que receberam a primeira dose da CoronaVac de janeiro a março de 2021, e a segunda com um intervalo de 28 dias. Decorridos cinco meses, os voluntários tomaram a dose de reforço. A capacidade de neutralização de anticorpos foi avaliada em 77 voluntários. Em adultos entre 18 e 59 anos de idade, a capacidade de neutralização dos anticorpos circulantes atingiu seu máximo quatro semanas após a dose de reforço, aumentando mais de 18 vezes em comparação com os níveis registrados cinco meses após a segunda dose, e mais de quatro vezes em comparação com os níveis registrados duas semanas após a segunda dose. Entre maiores de 60 anos, os pesquisadores observaram que após a dose de reforço houve um aumento de mais de nove vezes na capacidade neutralizante em relação à resposta observada cinco meses após a segunda dose.

A booster dose of an inactivated SARS-CoV-2 vaccine increases neutralizing antibodies and T cells that recognize Delta and Omicron variants of concern
MedRxiv