ENTRE ASPAS
A ignorância em relação a não utilizar a CoronaVac para vacinar nossas crianças é imperdoável. A CoronaVac se mostrou uma vacina eficaz e, provavelmente, de todas a mais segura.
Gonzalo Vecina Neto
médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa

VOCÊ SABIA?
Você sabia que a CoronaVac, vacina do Butantan contra a Covid-19, é a vacina com menos efeitos adversos das que estão sendo administradas no Brasil?

Em diversos públicos, a CoronaVac é a vacina com menos efeitos adversos comprovados em pesquisas e, quando há, são leves como dor no braço, fadiga e febre baixa, ou seja, não precisam de hospitalização. Um estudo publicado na revista científica Lancet Infectious Diseases em agosto de 2021, mostrou que a vacina causou eventos adversos em apenas 29% a 33% das pessoas imunizadas. Outro estudo publicado na revista Vaccines, mostrou que comparada às vacinas de RNA mensageiro, a CoronaVac também causou poucos eventos adversos. O estudo contou com 1.129 pessoas imunizadas com CoronaVac, e apenas 48,1% delas relataram efeitos adversos, diferente da vacina de RNA mensageiro que teve 969 pessoas e houve notificação de 82,7%.


#FAKE Lesão de jogador de tênis foi causada por vacinação. Durante uma partida em março de 2022, o tenista Rafael Nadal sentiu falta de ar. Alguns usuários das redes sociais associaram esse fato à vacinação do atleta contra a Covid-19. Isso é mentira: não existe qualquer relação entre vacinas de SARS-CoV-2 e falta de ar. O próprio Nadal publicou em suas redes sociais que foi examinado por sua equipe médica, e que a falta de ar se deveu a uma fissura no terceiro arco costal esquerdo causada por estresse do tenista.


#FATO Nova fábrica do Butantan vai produzir CoronaVac, entre outras vacinas. O Centro de Produção Multipropósito de Vacinas terá capacidade de fabricar vacinas de cinco plataformas, entre elas contra Covid-19, zika, raiva e hepatite A. Ao todo, estima-se que a nova fábrica produza 100 milhões de doses de imunizantes por ano. Além de permitir a fabricação de vacinas em larga escala, o CPMV é totalmente digital e automatizado, alinhado aos princípios da Indústria 4.0, gerando dados rastreáveis de todos os processos. A nova fábrica também conta com um laboratório com nível 3 de biossegurança, permitindo a produção de imunizantes que exigem a manipulação de organismos que representam alto risco biológico.


#FAKE Alta cobertura vacinal não mostrou resultados para conter a pandemia. Ao contrário da afirmação que circula em redes sociais e grupos de mensagens, a vacinação foi e continua sendo imprescindível para salvar vidas e conter o avanço da Covid-19. Após o início da campanha de imunização no Brasil, o número de mortes causadas pelo SARS-CoV-2 despencou. Em abril de 2021, mais de 4 mil mortes eram registradas por dia no país devido à doença. Em março de 2022, o maior pico diário foi de 677 óbitos. 


#FATO Vacina do SARS-CoV-2 foi produzida rapidamente porque já havia um imunizante contra o vírus SARS-CoV em estudo. Há cerca de dez anos, a China enfrentou o surto de um vírus da família dos coronavírus, o SARS-CoV. Como esse vírus não era tão infeccioso, o surto não se espalhou e foi controlado com medidas de segurança. Mas antes do surto acabar, cientistas chineses começaram a desenvolver uma vacina contra o SARS-CoV. O estudo foi interrompido quando a doença foi controlada, pois o imunizante já não era mais necessário. Quando o SARS-CoV-2 começou a se propagar em dezembro de 2019, os pesquisadores retomaram as antigas pesquisas do ponto onde pararam, já que os vírus eram da mesma família, e não precisaram começar do zero. Esse é um dos motivos porque a CoronaVac, produzida pelo Butantan e pela farmacêutica chinesa Sinovac, foi desenvolvida em tempo recorde.


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