Varíola causada pelo Monkeypox é menos letal que a varíola tradicional, mas pode ser grave em crianças e imunossuprimidos

Pessoas com sistema imunológico comprometido podem ter respostas diferentes caso entrem em contato com o vírus


Publicado em: 08/06/2022

A varíola causada pelo vírus Monkeypox, que vem se espalhando para fora de países do centro e oeste da África onde é endêmica, preocupa especialistas por ser transmissível e por poder causar complicações em pessoas com o sistema imunológico comprometido, apesar da doença não ser considerada grave.

“O Monkeypox causa uma doença mais branda que a varíola (Smallpox), mas em alguns pacientes de risco, como imunossuprimidos e crianças, ela pode se desenvolver de forma mais grave”, reitera a diretora do Laboratório de Virologia do Instituto Butantan, Viviane Botosso.

Segundo a virologista, essa tendência existe porque estes grupos podem não responder tão bem à infecção ou desenvolver outros tipos de infecções após o contágio. “Isso acontece porque eles têm um sistema imunitário não tão eficaz, o que pode levar a uma tendência a ter infecções secundárias e complicações como encefalites, que podem levar ao óbito”, explica Viviane.

A OMS reitera a recomendação ao afirmar que a doença, embora autolimitante, pode se tornar mais grave nos menores e também em grávidas. E, caso crianças em idade pré-escolar tenham tido contato com casos suspeitos ou confirmados, o órgão diz que “seria prudente” não enviá-las à escola. 

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), órgão do governo dos Estados Unidos que monitora os casos do Monkeypox no país, e indica políticas de saúde para este e outros surtos, explica que o prognóstico do Monkeypox depende de vários fatores, como estado de vacinação anterior, estado de saúde inicial, doenças concomitantes e comorbidades, entre outros. 

“Pessoas com doenças graves como doença hemorrágica, lesões de pele, sepse, encefalite ou outras condições que requerem hospitalização são exemplos”, descreve o órgão.

Porém, correm mais risco de desenvolver a doença de forma mais grave as pessoas imunossuprimidas com HIV/AIDS, leucemia, linfoma, metástase, transplantados, pessoas com doenças autoimunes, gestantes, lactantes e crianças com menos de 8 anos de idade, entre outros casos, afirma o órgão.

Apesar disso, Viviane reitera que o Monkeypox não é considerado um vírus mortal, como o Smallpox, a varíola que atacou humanos por séculos e causou milhões de mortes no século 20, mas que foi considerada erradicada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1980, após uma massiva campanha de imunização.

Sobre o Monkeypox

Há duas cepas endêmicas do Monkeypox em circulação no planeta. A cepa endêmica na África Ocidental, que tem uma taxa de letalidade de 1% a 3%, é a única identificada nos mais de 600 casos em 33 países membros da OMS até 26/5. A outra cepa de Monkeypox também endêmica em alguns países africanos, originária do Congo, é considerada mais perigosa com taxa de letalidade de até 10%, de acordo com a OMS.

Os países onde essa varíola é considerada endêmica são Benin, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Gabão, Gana (identificado apenas em animais), Costa do Marfim, Libéria, Nigéria, República do Congo, Serra Leoa e Sudão do Sul. 

Transmissão

A transmissão do Monkeypox ocorre por contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama. E, segundo a OMS, a transmissão humano para humano está ocorrendo entre pessoas em contato físico próximo com casos sintomáticos – e isso inclui pessoas de qualquer idade, sejam adultos ou crianças. 

Várias espécies animais foram identificadas como suscetíveis ao Monkeypox, mas permanece incerta a história natural do vírus, sobretudo os possíveis reservatórios e como a sua circulação é mantida na natureza. A ingestão de carne e outros produtos mal cozidos, provenientes de animais infectados, é um possível fator de risco, indica a OMS.

O Monkeypox, vírus que pertence ao gênero Orthopoxvirus da família Poxviridae, e é considerado uma zoonose viral (o vírus é transmitido aos seres humanos a partir de animais) com sintomas muito semelhantes aos observados em pacientes com varíola humana (Smallpox), embora seja clinicamente menos grave. O período de incubação é geralmente de seis a 13 dias, mas pode variar de cinco a 21 dias, segundo a OMS.