Variantes BA.4 e BA.5 da ômicron, em ascensão na Europa, são detectadas em cidades de São Paulo pela Rede de Alerta do Butantan

Sublinhagens BA.4 e BA.5 foram encontradas na Grande São Paulo, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto


Publicado em: 26/05/2022

A Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2, coordenada pelo Instituto Butantan, registrou pela primeira vez as variantes BA.4 e BA.5, sublinhagens da ômicron surgidas na África do Sul e atualmente em expansão na Europa, no estado de São Paulo. Foram detectadas uma amostra de BA.4 e cinco de BA.5 na 19ª semana epidemiológica, entre os dias 7 e 13/5.

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A amostra de BA.4 foi detectada em uma mulher de 74 anos, moradora da Grande São Paulo. Já as amostras de BA.5 foram detectadas em dois homens de 25 anos e 34 anos, e em quatro mulheres de 35, 46, 63 e 74 anos, quatro colhidas em São José do Rio Preto (SP) e uma em Ribeirão Preto (SP).

De acordo com o bioinformata da Rede de Alertas das Variantes do SARS-CoV-2, Alex Ranieri, esta é a primeira vez que as sublinhagens da ômicron surgem na Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2 do Butantan. Amostras das variantes já haviam sido identificadas no estado pelo Hospital Israelita Albert Einstein. “Com essa descoberta, já podemos inferir que estas cepas já estão espalhadas pelo estado”, afirmou Alex.

As sublinhagens da ômicron BA.4 e BA.5 foram detectadas primeiramente na África do Sul em janeiro e fevereiro de 2022 respectivamente e, desde então, se tornaram as variantes dominantes no país. Elas estão em ascensão na Europa, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês).

Segundo o órgão de saúde europeu, não há indicação de qualquer alteração na gravidade para BA.4 ou BA.5 em comparação com as linhagens da ômicron anteriores.

BA.4 e BA.5 no Brasil e no mundo

Até o momento, foram realizados quatro sequenciamentos da variante BA.4 no Brasil, já contando com a da Rede de Alertas do Butantan. O primeiro identificado pelo laboratório de Técnicas Especiais do Hospital Israelita Albert Einstein, sem informação de gênero e idade de quem fez a coleta, em 2/5. Duas outras sequências foram identificadas pelo Laboratório de Imunologia de Transplantes de Goiás, ambas as amostras coletadas nos dias 16 e 17/5 em um homem de 39 anos e em uma mulher de 38 anos. 

Já a BA.5 tem 12 amostras sequenciadas no Brasil até agora, entre as quais as cinco identificadas pelo Butantan. As duas primeiras sequências foram identificadas pelo Hospital Israelita Albert Einstein em 9/5, sem informações sobre os pacientes. Outras quatro sequências foram identificadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Rio de Janeiro (Lacen-RJ) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), coletadas entre 6/5 e 10/5 em três mulheres com idades de 43, 50 e 75 anos e em um homem de 20 anos. E mais uma sequência foi feita pelo laboratório goiano, coletada em um homem de 21 anos em 16/5.

No mundo, já foram detectadas 2.941 sequências de BA.4 e 2.346 sequências de BA.5. A maior incidência de BA.4 no mundo é na África do Sul (60%), seguido dos Estados Unidos (9%), Reino Unido (7%), Áustria (6%) e Dinamarca (3%). Já as maiores incidências da variante BA.5 são na África do Sul (31%), Alemanha (19%), Portugal (18%), Reino Unido (10%) e Estados Unidos (7%). Os dados são da ferramenta Pangolin, conhecida como Pango, que implementa a nomenclatura das linhagens do SARS-CoV-2, levantados pela bioinformata da Rede de Alerta de Variantes Gabriela Ribeiro. 

Apesar do avanço destas variantes, a BA.1 e BA.2 da ômicron e suas sublinhagens BA.1.1., BA.1.1.1, BA.1.1.2 e BA.2.1 e BA.2.2 e BA.2.3 ainda são as que mais circulam no mundo, segundo a plataforma. No Brasil, de acordo com a plataforma Cov-spectrum, que usa dados do Gisaid, outra plataforma mundial que notifica o surgimento de variantes da Covid-19, a variante BA.2 se tornou dominante.

“A predominância de uma variante ocorre por um determinado tempo. No mês retrasado, quem estava dominando no país era a BA.1 e suas sublinhagens. Agora o cenário mudou. Há menor quantidade de BA.1 circulando no Brasil e maiores quantidades de BA.2. Então isso quer dizer que a maior incidência neste momento é de BA.2 no Brasil”, disse Gabriela.