Variante XAG, primeira recombinante brasileira da ômicron, é detectada em estados do sul e sudeste e em 6 países

A recombinação de duas linhagens da ômicron, a BA.1 e BA.2, foi reclassificada após detecção de mudanças no genoma


Publicado em: 20/06/2022

Amostras da primeira variante recombinante da ômicron originária do Brasil, a XAG, foram identificadas pela Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2, coordenada pelo Instituto Butantan, no estado de São Paulo. Pelo menos 35 amostras da XAG já foram identificadas no Brasil desde março deste ano, mas elas foram inicialmente classificadas como XQ, e reclassificadas como XAG em 14/6, após estudos mais detalhados do genoma da variante.

“Inicialmente, pensava-se que se tratava da variante recombinante XQ. Com o surgimento de mais dados de sequenciamento, foi possível concluir que, de fato, trata-se de uma nova recombinante com provável origem brasileira, sendo designada como XAG em 14 de junho de 2022”, explica o bioinformata da Rede de Alerta Alex Ranieri.

O especialista acredita se tratar de uma variante recombinante da ômicron brasileira pelo fato de a grande maioria dos casos terem sido detectados no país, embora ela já tenha sido identificada em outras cinco nações.

De acordo com Alex, ao menos 47 sequências da XAG, que é uma recombinação das linhagens BA.1 e BA.2 da ômicron (semelhante à variante XQ, mas com pequenas mudanças no genoma entre elas), já foram detectadas no mundo. A maioria delas foi encontrada no Brasil - 35 casos em cinco estados. Mais quatro casos foram identificados em Israel, três nos Estados Unidos, três na Dinamarca, um na Alemanha e um no Chile, segundo a plataforma Pango de notificação de variantes do SARS-CoV-2.

Diferença entre as recombinantes 

No Brasil, a maior circulação da XAG ocorre no Rio Grande do Sul, onde foram identificadas 25 sequências até 9/6, seguido do estado de São Paulo, com seis sequências identificadas (cinco delas pela Rede de Alerta), duas sequências identificadas em Santa Catarina, uma no Paraná e uma em Minas Gerais, detalha Alex.

O bioinformata afirma que as primeiras sequências no Brasil apareceram entre os dias 10 e 23/3 no Rio Grande do Sul. Outros 13 registros registrados pela rede foram feitos entre os dias 14 e 19/4, embora a maior quantidade de casos tenha sido identificada no mês de maio deste ano. 

A diferença entre as recombinantes XQ e XAG se consolidou à medida que mais sequenciamentos foram realizados pela Rede de Alerta. “A notificação foi feita somente em junho porque acreditava-se que estas sequências se tratavam de outra variante recombinante originária de mutações da ômicron. Mas com o surgimento de mais informações, foi possível chegarmos à conclusão de que na verdade se tratavam de uma recombinante nova, que é a XAG”, afirma.

Alex explica que a diferença entre uma recombinante e outra é basicamente o ponto da proporção do genoma entre elas. Isto é, as variantes recombinantes do vírus da Covid-19 estão atualmente sendo formadas pelas linhagens BA.1 e BA.2 da ômicron, com diferenças entre as proporções desse genoma. “No caso da XAG ela tem uma proporção do genoma diferente em relação à XQ e algumas outras pequenas mutações, que nos permitiram fazer essa diferenciação”, conclui o bioinformata.