Variante recombinante XE encontrada no Brasil não deve ser motivo de alarde, diz cientista do Butantan

Mutação que é uma combinação das cepas BA.1 e BA.2, duas sublinhagens da ômicron, foi encontrada em São Paulo


Publicado em: 08/04/2022

A variante recombinante XE, identificada pela Rede de Alerta de Variantes do Instituto Butantan em São Paulo, não deve ser motivo de alarde, apesar de haver possibilidade de ela já estar circulando no país. Isso porque a chance de um novo pico de infecções parece cada vez menor, diante da alta cobertura vacinal e imunidade da população, afirma a vice-diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Butantan, Maria Carolina Sabbaga, responsável pelo sequenciamento genômico da Rede de Alerta das Variantes do Instituto Butantan.

“Essa variante recombinante é uma mistura de BA.1 e BA.2, duas sublinhagens da ômicron que já circularam muito e continuam circulando. Muitas pessoas já devem ter anticorpos que as reconhecem. E depois do último pico que tivemos, muitos foram infectados e devem ter anticorpos também”, explica.

Diante desse cenário, a presença da XE não deve ter impacto significativo no aumento de casos de Covid-19 no país. “A presença dessa variante recombinante não deve ser motivo de alarde”, concluiu Maria Carolina.

Homem infectado teve sintomas leves

A variante XE foi identificada pela primeira vez no Brasil pela Rede de Alerta de Variantes do Instituto Butantan, na 10ª semana epidemiológica de 2022, e se assemelha à variante que circula no Reino Unido. 

A pessoa infectada se trata de um homem de 39 anos, que fez o exame de PCR em 7 de março, após desenvolver sintomas leves e ter feito isolamento e tratamento em casa. Ele não viajou para o exterior, o que poderia indicar que a variante recombinante já está com transmissão comunitária, ao menos na capital paulista, segundo Maria Carolina.

Origem da XE

Segundo boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS), a XE teria uma capacidade 10% maior de transmissibilidade comparada à linhagem BA.2 da ômicron. Mas, até o momento, não foi confirmado maior impacto na imunidade e severidade.

Ela foi descoberta primeiramente no Reino Unido, onde foram notificados mais de 600 casos de 19 de janeiro, quando a variante foi identificada em Londres, até 29 de março, segundo a Agência de Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês).  

A XE ainda não foi categorizada pela Organização Mundial da Saúde, diferente da variante recombinante deltacron, cujo nome oficial é XD, e atualmente é considerada uma variante em monitoramento (VUM, na sigla em inglês). Mas isso pode mudar se ela aumentar seu alcance.