Vacina mais usada em adultos no Chile, CoronaVac tem a menor taxa de eventos adversos entre maiores de 18 anos

Das 40 milhões de doses aplicadas em maiores de 18 anos no país, mais de 20 milhões foram de CoronaVac


Publicado em: 01/07/2022

A CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, apresentou a menor taxa de eventos adversos entre as vacinas contra Covid-19 aplicadas em adultos no Chile, segundo dados do 9º Informe Estatístico “ESAVI associados à administração de vacinas SARS-CoV-2 no Chile em pessoas a partir de 18 anos”, do Ministério da Saúde local

De acordo com o documento, entre o período pesquisado, foram registradas 15 mil notificações de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVIs) relacionados ao uso das quatro marcas de vacinas contra Covid-19 aplicadas em adultos no Chile.

Apesar de a CoronaVac ser a vacina com o maior número de doses aplicadas nesta parcela da população chilena – das 41 milhões de doses aplicadas nos maiores de 18 anos, entre 24 de dezembro de 2020 e 26 de fevereiro de 2022, 20 milhões foram de CoronaVac -, seu uso corresponde à menor taxa de eventos adversos relacionados à vacinação em adultos do país.

Os dados foram colhidos pelo Subdepartamento de Farmacovigilância (SDFV, na sigla em espanhol), do Instituto de Saúde Pública do Chile (ISP), ligado ao Ministério da Saúde local, que notifica e investiga se os ESAVIs têm ou não relação com a vacinação.

Menos eventos do que outras vacinas

Segundo o informe, as 6.440 notificações de eventos adversos atribuídas à CoronaVac correspondem a uma taxa de 30,9 ESAVIs a cada 100 mil doses administradas no país, a menor taxa comparada ao uso da vacina da AstraZeneca (taxa de 42,36 ESAVIs por 100 mil doses aplicadas), seguida da vacina da Pfizer/BioNTech (38,50 a cada 100 mil doses aplicadas) e da vacina da CanSino (37,55 notificações de ESAVIs a cada 100 mil doses aplicadas).

A taxa de efeitos adversos da CoronaVac é também menor do que a média geral do uso das vacinas utilizadas no país: 36 ESAVIs a cada 100 mil doses aplicadas, de acordo com o informe.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), ESAVI é uma condição de saúde desfavorável, não intencional, que pode ser um sintoma, um achado laboratorial ou uma doença, ocorrido durante a vacinação (na administração da vacina) ou na imunização (após a geração da resposta imune). 

Maioria dos eventos adversos são leves

Quando se analisa o total de ESAVIs não graves (manifestações ou sintomas que se curam sozinhos, sem necessidade de tratamento ou hospitalização) associados às vacinas, 94,47% dos ESAVIs relacionados à CoronaVac estão nessa categoria, de acordo com o informe.

Ainda segundo o documento do governo chileno, a CoronaVac apresentou a menor taxa de ESAVIs não graves entre os imunizantes analisados: 29,19 ESAVIs não graves por 100 mil doses aplicadas, ante 36,82 ESAVIs não graves da vacina da Pfizer, 36,53 ESAVIs não graves da vacina da AstraZeneca e 35,82 ESAVIs da vacina da CanSino.

Efeitos adversos mais comuns

Segundo o documento, o evento adverso não grave mais comum atribuído à Coronavac é cefaleia correspondente a 10,9 notificações a cada 100 mil doses aplicadas. Reação local à injeção (9,9 notificações a cada 100 mil doses), mialgia (3,74 a cada 100 mil doses), prurido (3,63 notificações a cada 100 mil doses), náuseas (3 a cada 100 mil doses), mal-estar geral (2,82 notificações), fadiga (2,81), diarreia (2,73 a cada 100 mil doses), febre (2,41 a cada 100 mil doses) e tontura (2,11 a cada 100 mil doses). Todos os dados são menos incidentes do que os relatados nas demais vacinas.

Desta forma, os dados comprovam que a CoronaVac é uma vacina com raros efeitos adversos no público adulto e quando eles aparecem costumam se resumir a dor no local da aplicação na maioria dos relatos.