Terceira dose da CoronaVac reconhece ômicron, o que indica possível proteção contra a variante, diz estudo chileno

Segundo pesquisa, dose de reforço aumenta níveis de anticorpos neutralizantes que se mantêm por longo tempo


Publicado em: 31/01/2022

Um estudo de fase 3, realizado no Chile, observou que indivíduos que tomaram a terceira dose da CoronaVac possuem células T que reconhecem a proteína Spike da variante ômicron, de maneira equivalente à cepa original do SARS-CoV-2 e às variantes gama e delta, o que indica que o imunizante pode conferir proteção contra a ômicron, assim como contra as demais variantes de preocupação.

O estudo realizado pelo Instituto Milênio de Imunologia e Imunoterapia, em conjunto com as Faculdades de Medicina e de Ciências Biológicas da Pontifícia Universidade Católica do Chile, demonstrou ainda que a dose de reforço da CoronaVac induziu o fortalecimento da imunidade contra o SARS-CoV-2, restabelecendo os níveis de anticorpos neutralizantes e células T contra a Covid-19 acima dos níveis obtidos na segunda dose e que essa elevação na proteção se mantém por, ao menos, um ano após o recebimento da primeira dose.

“Os resultados deste estudo científico-clínico mostram que este esquema de vacinação [de três doses] induz anticorpos contra a proteína Spike (S), anticorpos neutralizantes e resposta imune celular antiviral, baseada em linfócitos T produtores de interferon gama (IFN-γ) [uma citocina liberada após ação da resposta imune]”, descreve o estudo.

Os dados são preliminares e ainda não foram publicados, mas já são considerados animadores em termos da capacidade dos imunizados com a CoronaVac de reconhecer componentes da ômicron, descreveram os pesquisadores.

Essa também é a opinião da imunologista e liderança científica do Butantan, Denise Tambourgi. “Os dados, embora preliminares, sugerem que a terceira dose de CoronaVac é uma proteção a mais contra a variante ômicron; indicam que a vacina induz uma resposta imune celular contra a ômicron”, afirma.

“A CoronaVac induz memória imunológica e, quando se toma outra dose, ela é estimulada. Além disso, esse estudo evidencia que a produção de anticorpos se mantém por um longo tempo após a terceira dose, o que é promissor”, ressalta a imunologista.

A análise dos pesquisadores chilenos foi feita com base na aplicação da terceira dose de CoronaVac seis meses após o recebimento da primeira dose em 12 pessoas. Além desse estudo, há outras pesquisas em andamento no Chile que avaliam a resposta imunológica da dose de reforço do imunizante do Butantan e da Sinovac.

A CoronaVac é amplamente usada em adultos, idosos e crianças no país andino e estudos de efetividade realizados no país demonstraram que a vacina previne casos sintomáticos de Covid-19 em 80% e hospitalização em 88%, segundo dados do Ministério da Saúde chileno.