Terceira dose da CoronaVac promove resposta imune robusta em pacientes com doenças reumáticas

Dose de reforço foi eficaz inclusive nos pacientes que não apresentavam anticorpos seis meses após a segunda dose


Publicado em: 21/03/2022

A terceira dose da CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, induz resposta imune elevada contra a Covid-19 em pacientes com doenças reumáticas autoimunes, com produção de anticorpos em mais de 90% dos indivíduos. Esta é a principal conclusão de um trabalho realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, publicado no dia 11/3 na revista Annals of the Rheumatic Diseases do British Medical Journal.

Os cientistas incluíram no estudo 597 pacientes adultos com doenças reumáticas autoimunes, assim como um grupo controle com 199 pessoas saudáveis, sendo a idade média e a distribuição de gênero comparáveis em ambos os grupos. Todos os participantes haviam sido vacinados com duas doses de CoronaVac e receberam a terceira dose seis meses após a segunda. Pacientes com doença controlada suspenderam as medicações imunossupressoras durante o período de vacinação.

Entre os pacientes, a taxa de soroconversão de anticorpos IgG contra o SARS-CoV-2 aumentou significativamente com a terceira dose, de 60% para 93% um mês após a aplicação. Da mesma forma, a positividade dos anticorpos neutralizantes aumentou de 38% antes da terceira dose para 81,4% decorridos 30 dias da dose de reforço. O mesmo padrão foi observado para o grupo controle.

A terceira dose da CoronaVac também elevou a resposta imune de pacientes que estavam sem produzir anticorpos seis meses após a segunda dose. Com o reforço, a soroconversão chegou a 80,5% para anticorpos IgG e 59,1% para anticorpos neutralizantes.

É importante ressaltar que a queda na soroconversão seis meses após a segunda dose já foi comprovada pela ciência em todas as vacinas contra a Covid-19 atualmente em uso, e está relacionada à dinâmica do vírus SARS-CoV-2, não à eficácia dos imunizantes.

Análises adicionais revelaram que fatores como idade avançada, diagnóstico de vasculite e uso dos medicamentos prednisona (corticoide) e micofenolato de mofetila (para prevenir rejeição de transplantes) estavam associados à redução da positividade dos anticorpos IgG. Além disso, o uso dos fármacos prednisona, abatacepte, belimumab e rituximabe estavam relacionados à menor produção de anticorpos neutralizantes.

De acordo com os pesquisadores, o trabalho reforça a importância da terceira dose para pessoas com doenças reumáticas autoimunes. “Este estudo fornece novas evidências de um aumento substancial na resposta imune com uma dose adicional da CoronaVac administrada seis meses após duas doses da mesma vacina inativada, em uma grande coorte prospectiva controlada de pacientes”. 

 

*Este texto é uma colaboração do jornalista científico Peter Moon para o portal do Butantan