Tempo de imunidade e terceira dose de vacinas de vírus inativado nas discussões do segundo dia do CoronaVac Symposium

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Publicado em: 08/12/2021

A CoronaVac é uma das vacinas mais seguras e eficazes contra a SARS-CoV-2, sendo capaz de manter a imunidade por diversos meses após a segunda dose, o que foi ressaltado por diversas pesquisas que avaliam a resposta celular e humoral dos vacinados e foram apresentadas nesta quarta (8), durante as discussões do segundo dia do CoronaVac Symposium, evento internacional promovido pelo Butantan em parceria com a Sinovac.

Para iniciar as discussões da manhã, o cientista Xiangxi Wang, pesquisador principal do Laboratório de Infecção e Imunidade do Instituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências ressaltou que a dose adicional da CoronaVac combate a cepa original do SARS-CoV-2 e também suas variantes, inclusive a ômicron. Cerca de quatro semanas após a aplicação da dose de reforço, houve multiplicação dos níveis de anticorpos neutralizantes contra a proteína S, responsável pela entrada do SARS-CoV-2 nas células humanas. Além disso, o reforço aumenta a proteção contra as novas cepas, elevando em 17 vezes o nível de anticorpos neutralizantes contra a variante delta e contra a cepa original de Wuhan, em 18 vezes contra a variante alfa, em 19 vezes contra a beta e em 14 vezes contra a gama.

 

A proteção dos imunizados com CoronaVac contra as variantes gama, beta e delta também foi revelada, no Brasil, pela análise de anticorpos neutralizantes, realizada por Edison Durigon, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). No estudo, a proteção dos vacinados se manteve alta até cinco meses após a segunda dose. Para Durigon, a Covid-19 será vencida se, nos próximos anos, o imunizante for atualizado com as variantes em circulação. “Concordo de usar as cepas atuais, elas precisam ser atualizadas para poder cobrir as variantes de maior preocupação”, disse.

O especialista destacou que as pesquisas da pandemia avançaram muito no Brasil no último ano devido à experiência prévia dos cientistas e do bom relacionamento com outras instituições, adquirida nos estudos de outras epidemias como a SARS-CoV-1, influenza viária, H1N1 e zika vírus.

 

O pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Chile, Alexis Kalergis, pós-doutor em imunologia e diretor do Instituto Millennium de Imunologia e Imunoterapia, também apontou resultados semelhantes quanto à duração da imunidade. Kalergis destacou que indivíduos que tomaram as duas doses da vacina apresentaram altas taxas de soropositividade de anticorpos neutralizantes contra as variantes: acima de 97% para a cepa original, mais de 80% para as variantes alfa e gama, mais de 75% para a delta e mais de 60% para a beta, segundo seus últimos estudos.

 

Já o especialista em doenças infecciosas pediátricas Ahmet Soysal, da Clínica Pediátrica do Memorial Atasehir Hospital, na Turquia, comparou a imunogenicidade e a reatogenicidade (a capacidade de a vacina gerar reação adversa ou colateral no organismo) da vacina de vírus inativado em 103 profissionais do sistema de saúde infectados pelo SARS-CoV-2 de forma leve ou sem sintomas, e 627 profissionais que não haviam contraído a doença. A CoronaVac induziu à maior produção de anticorpos em pessoas previamente infectadas.

 

O pesquisador Zhijie An, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China ressaltou o progresso da vacinação com a contenção de casos, apresentando dados de eficácia no mundo real contra a delta e outras variantes. Ele ressaltou que entre os vacinados com duas doses, a imunidade diminuiu depois de seis meses, mas após duas semanas da dose de reforço tendia a aumentar até 20 vezes. Com um ano de campanha de vacinação, foram aplicadas 2,5 bilhões de doses na população chinesa, imunizando 85% da população. Para monitorar a imunogenicidade e segurança das vacinas e possíveis surtos, os pesquisadores chineses utilizam um extenso banco de dados das pessoas imunizadas, empregando smartphones como auxiliares para os registros.

 

 

Futuro da vacina

De acordo com os pesquisadores que participaram das sessões do segundo dia do simpósio, o maior desafio para os próximos anos será saber o tempo exato de imunização e quantas doses serão necessárias anualmente. O professor Yiming Shao, chefe do setor de AIDS do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China e vice-presidente da Sociedade Chinesa de Microbiologia, avalia que será necessária a colaboração global para chegar a soluções efetivas para todos os continentes. Shao não descarta a criação de outras formas de imunização no futuro. “Precisamos fazer uso inteligente de todas as vacinas disponíveis para acelerar a imunização em todos os continentes. Há ainda alguns locais onde menos de 10% da população têm acesso”, disse. “No futuro, talvez possamos ter outros tipos de vacinas combinadas, até mesmo via oral.”

O Simpósio CoronaVac será realizado até quinta (9), das 8 às 11h. O evento online internacional conta com a presença de pesquisadores brasileiros e do Chile, Turquia, China, Espanha e Estados Unidos. A abertura do simpósio, no primeiro dia, foi realizada pelo presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, e pelo presidente da Sinovac, Weidong Yi.

Para o mediador e diretor do Laboratório Multipropósito do Instituto Butantan, Renato Astray, a importância do simpósio tem a ver com a quantidade de pesquisadores estrangeiros reunidos. “A gente vê dados sobre eficácia, de proteger ou não a população, porcentagens, dados técnicos da quantidade de anticorpos gerados, como é a resposta celular, o perfil de células de memória. Foi bastante interessante ter hoje explicado por diversos grupos de pesquisa”’, afirma.

A liderança científica do Butantan Denise Tambourgi destaca a forma como imunogenicidade e neutralização de anticorpos foram apresentadas em estudos feitos em diferentes países. “Trouxe bastante informação de quão efetiva é a vacinação e a produção de anticorpos neutralizantes contra as variantes em circulação. Chamou atenção em particular um palestrante da China sobre o repertório de anticorpos que a CoronaVac consegue elicitar em termos de terceira dose ao longo da resposta imune”, diz a especialista. “’Várias discussões para enriquecer nosso conhecimento e capacidade de ter uma crítica maior e do que a gente vai fazer daí para o futuro.”

 

 

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