Parceria entre governo de SP, Butantan e USP visa oferecer tratamento inovador contra o câncer no SUS

Programa lançado em São Paulo inclui a criação de dois núcleos de terapia celular para atender 300 pacientes ao ano


Publicado em: 15/06/2022

O Programa de Terapia Celular lançado pelo Instituto Butantan em parceria com o governo do estado de São Paulo nesta terça (14) tem como objetivo oferecer um tratamento inovador e de alto custo contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa é fruto de uma parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e o Hemocentro de Ribeirão Preto.

“Nosso objetivo é incorporar essa tecnologia para que ela esteja disponível aos nossos pacientes do SUS e para isso temos duas unidades. Estamos tendo uma grande oportunidade de ver nascer uma indústria no nosso estado de São Paulo”, informou o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, durante o lançamento do programa.

O tratamento contra o câncer caracterizado pela utilização de células do sistema imunológico dos pacientes, tecnologia conhecida como CAR-T Cell, é considerado inovador por possibilitar a cura ou remissão de linfomas e leucemia. Para sua realização, a terapia será baseada em células modificadas produzidas no Núcleo de Terapia Celular (Nucel), localizado em São Paulo (SP), e no Núcleo de Terapia Avançada (Nutera), localizado em Ribeirão Preto (SP). Juntos, os núcleos terão capacidade de produzir células que poderão atender até 300 pacientes por ano.

 

 

Por ser um tratamento de alta tecnologia e preço elevado, que custa em torno de US$ 1 milhão por paciente, é dependente de insumos importados. Por isso, sua implantação no país pode trazer autossuficiência necessária para torná-lo viável em todo o sistema público, que é o objetivo do programa. “Queremos independência e autonomia nesse setor”, reiterou Dimas.

Para o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Gilberto Carlotti, oferecer o tratamento de células CAR-T contra o câncer no sistema público beneficiará todos os brasileiros. “Se compramos medicações do exterior, mesmo anticorpos monoclonais, hoje existe uma possibilidade grande de fazermos o tratamento, aqui no Brasil, chegar ao paciente SUS. Com isso, beneficiamos toda a população brasileira”, afirmou.

O acesso universal é, inclusive, o grande objetivo do programa, disse o secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde do estado de São Paulo, David Uip. “Esse tratamento, além do fato de ser inovador, com o tempo será acessível e esse é o objetivo. É a possibilidade de todos os brasileiros sem exceção terem acesso”, afirmou.

 

 

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