Mais tranquilidade e visão melhor da ciência estão entre as mudanças que o Projeto S trouxe a Serrana


Publicado em: 22/10/2021

Os mais recentes estudos feitos em Serrana, cidade do interior de São Paulo onde foi realizado o Projeto S, estudo de efetividade da vacina CoronaVac, imunizante do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, mostram que 99% dos voluntários da pesquisa apresentaram soroconversão três meses após a segunda dose. Os moradores e equipe médica da cidade se mostram seguros e tranquilos com o resultado, e aos poucos, a vida vai voltando ao normal.

“Percebi que está todo mundo menos preocupado. Não conheci mais ninguém que teve Covid-19 depois que as pessoas participaram do projeto”, diz a voluntária Larissa do Bem, de 25 anos. Ela conversou com outros moradores e todos estavam aliviados, sem qualquer arrependimento de ter tomado a CoronaVac. “A visão sobre ciência melhorou na cidade depois do projeto. E o resultado deu muita credibilidade também.”

 

Maria José dos Santos Guedes, de 72 anos, também sentiu as pessoas de Serrana mais animadas e mais seguras, e já fez planos para quando acabar a pandemia. “Quero muito ver meus netos, bisnetos, reunir de novo a família e passear bastante, lógico”, brincou. Ela quer contar aos netos e bisnetos o quanto a vacinação foi importante e salvou as pessoas. “No começo, eu morria de medo de pegar a doença, porque eu já tive infarto. Agora eu já estou muito mais aliviada.”

 

Ailton Dias de Oliveira, de 71 anos, que também foi voluntário do Projeto S, fala que todos os seus amigos continuam querendo participar das iniciativas vinculadas à pesquisa. “A gente tem que confiar na ciência. Se a gente ficar com medo, não adianta”, afirma. Ele não teve reação à CoronaVac e explica que todos de sua família também tomaram a vacina do Butantan e seguem sem nenhum problema de saúde. 



Para Waldemar Martins, de 74 anos, a maior confirmação do sucesso da vacina em provocar imunidade é que a taxa de mortalidade está caindo não só em Serrana, mas em todo o país. “A pandemia foi complicada, mas a assistência do pessoal do Butantan ajudou a serem mais fáceis esses dois anos”, aponta.



Ver a diminuição no número de casos também é gratificante para quem está à frente do combate à pandemia. “É um marco na história da saúde, tanto para o município quanto para o país. Vai ser gratificante todos saberem que eu participei desse projeto”, comemora o auxiliar de pesquisa de Serrana Guilherme Tagliacol. Ele também exalta a união dos voluntários, da população e da equipe da pesquisa. “Me surpreendeu demais, fiquei comovido. A disponibilidade de todo mundo, mesmo com dificuldade de locomoção se dispuseram a vir, foi muito lindo”, completa.



A enfermeira Luana Paixão, que esteve presente na primeira etapa da sorologia para verificar a resposta imune dos vacinados, viu de perto a diminuição dos casos graves na cidade graças à imunização coletiva. Ela se sente uma peça fundamental no projeto e fala dele com orgulho. “Hoje Serrana é conhecida mundialmente graças ao Butantan, e as pessoas viram a importância da vacinação”, lembra. Para Luana, participar do projeto foi enriquecedor como pessoa e como profissional, e ver a emoção dos moradores ao serem vacinados marcou sua vida.



Emoção que a enfermeira Lilian Carla de Jesus acompanhou de perto desde o início. Funcionária da prefeitura, ela tomou a primeira dose da CoronaVac um dia depois do aniversário, e lembrou da data com carinho. “Tem sido fantástico. Acho maravilhoso participar do projeto, estar inserida nesse meio. Não sei nem como descrever, é incrível participar desse momento histórico”, comemorou ela. Lilian jamais imaginou viver um momento de pandemia enquanto ainda estudava enfermagem, mas assim como os moradores de Serrana, abraçou a ideia do projeto e não se arrependeu. “Foi um momento de grandes reflexões, o quanto a ciência fez diferença na vida das pessoas. Veio o Butantan com toda a proposta de pesquisa, trazendo todo o conhecimento necessário para que as pessoas entendessem a importância da prevenção e da vacina”, completou. Ela afirmou que, ao pensar no futuro, já sabe o que contar para os netos, e resumiu toda a história que vai passar para eles em uma frase: “ciência faz sim toda a diferença”.

 

Entenda o que é o Projeto S

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