Encerramento do simpósio internacional reforça a necessidade de vacinar crianças e imunossuprimidos com CoronaVac

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Publicado em: 09/12/2021

A imunização de crianças e o benefício das doses de reforço em pessoas com doenças crônicas marcou o último dia do CoronaVac Symposium, evento internacional organizado pelo Instituto Butantan e pela Sinovac. Pesquisadores da China, do Chile e do Brasil trouxeram os resultados mais atuais sobre a vacinação realizada com a vacina de vírus inativado.

A gerente de farmacovigilância da Sinovac, Jiayi Wang, reforçou a garantia da efetividade da CoronaVac para uso infantil. “A vacina apresentou bom perfil de segurança para população acima de três anos”, disse ela, apresentando os dados dos ensaios clínicos de fase 1 e 2 realizados na China com crianças e adolescentes. Segundo a pesquisadora, foram verificados apenas efeitos adversos leves.

 

No Chile, as crianças de seis a 11 anos começaram a ser vacinadas em setembro e a vacina foi autorizada também para o uso da faixa etária acima de três anos no último dia 26 de novembro. Na avaliação da pesquisadora e professora da Pontifícia Universidade Católica de Chile Susan M. Bueno, os dados preliminares dos ensaios clínicos de fase 3 que estão em andamento no país apresentaram boa resposta imunológica em crianças acima de três anos. Os estudos mostraram até que as crianças produzem mais anticorpos e têm menos reações adversas que os adultos.

As avaliações fazem parte de ampla pesquisa realizada em parceria com instituições da China, Quênia, Malásia, Filipinas e África do Sul, da qual participam 14 mil voluntários. “Crianças vacinadas com seis anos ou mais não tiveram eventos adversos sérios, algo muito positivo”, informou Susan. As crianças e adolescentes foram divididos em dois grupos para avaliar a imunogenicidade e segurança da vacina na comparação com o placebo, e a maior parte delas apresentou apenas leve dor no local aplicado ou vermelhidão, com raros casos de tosse, febre ou vômito. A pesquisadora garantiu que a CoronaVac é hoje a vacina que traz menor risco e maior proteção às crianças. “Essa população estará cada vez mais suscetível, enquanto os mais velhos já têm a vacina”, disse. “É importante considerar e proteger com a vacina de vírus inativado porque é mais segura que as outras.”

 

 

Reforço para comorbidades

Os especialistas também ressaltaram no simpósio a importância da continuidade das pesquisas com pessoas com comorbidades. A reação dos sistemas de proteção e defesa do organismo entre os imunossuprimidos e subpopulações vacinadas com maior dificuldade de produzir anticorpos também foram destaques do último dia do evento.

Os resultados de uma pesquisa sobre a proteção da CoronaVac em imunossuprimidos foi apresentada pela diretora clínica dos Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), Eloisa Bonfá. “A recomendação da nossa sociedade médica é descontinuar a medicação [em imunossuprimidos] na semana da vacinação. A vacinação tem sido bem sucedida e também a dose de reforço. Vimos que os pacientes melhoraram a imunogenicidade”, disse.

 

No final do dia, o pesquisador Zijie Zhang, do Grupo de Biologia de Sistemas no Laboratório Estadual de Conservação e Utilização de Bio-Recursos da Universidade de Yunnan, na China, mostrou dados sobre a segurança da CoronaVac em pacientes imunossuprimidos e com doenças crônicas e a importância da terceira dose, principalmente para quem teve maior dificuldade para responder à vacinação primária. “A terceira dose é eficaz e a solução aos não-respondedores, apesar do nível mais baixo em relação à população em geral”, disse o pesquisador.

 

Já o pesquisador Hongjie Yu, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Fudan, na China, falou da imunogenicidade da CoronaVac entre idosos, sobre a permanência da imunidade após a vacinação primária e os efeitos da aplicação de uma terceira dose. Os voluntários que receberam uma dose adicional da vacina oito meses após a segunda dose aumentaram em sete vezes o nível de anticorpos neutralizantes, sem adversidades.

Os mediadores das discussões do terceiro dia de encontro foram o professor de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade de Barcelona, Rafael Franco, e o professor de clínica médica da Universidade de São Paulo, Paulo Andrade Lotufo. No período da tarde, foi realizada também uma mesa redonda com especialistas comentando os principais assuntos apresentados nas sessões científicas. “Não temos vacinas de vírus inativado na Europa, mas é algo que precisamos. Ninguém está se preocupando por razões não-científicas”, disse o professor Rafael Franco.

 

 

Encerramento

Pesquisadores brasileiros e de outros cinco países fizeram história ao se reunir no CoronaVac Symposium para apresentar as principais conclusões obtidas até o momento sobre a vacina. Os dados foram disponibilizados não apenas à comunidade científica, mas à toda a população durante o evento online internacional. “O simpósio é um importante momento da história. A CoronaVac foi pioneira e é hoje a principal vacina do mundo”, afirmou Lotufo. “Estamos lutando contra os negacionistas e favorecendo a ciência”, frisou.

A pesquisadora chilena Susan Bueno ressaltou que o simpósio deve servir como padrão de transparência à comunidade cientifica por apresentar as informações colhidas em relação à segurança e efetividade da imunização contra o coronavírus. “Essa mensagem precisa ser transmitida para incentivar a vacina no mundo todo e o fim da pandemia”, disse.

O CoronaVac Symposium foi realizado nos dias 7, 8 e 9/12. Todas as discussões estão disponíveis online e podem ser acessadas no canal do Youtube do Butantan

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