Dose de reforço da CoronaVac aumenta em 325 vezes os anticorpos IgG contra a ômicron, mostra estudo

Terceira dose da vacina também elevou em 577 vezes o nível de anticorpos contra a variante delta do vírus SARS-CoV-2


Publicado em: 30/05/2022

Um estudo realizado na província de Jiangsu, na China, mostrou que a dose de reforço da CoronaVac induz uma potente resposta imune contra as variantes delta e ômicron do vírus SARS-CoV-2, aumentando de 300 a 500 vezes o nível de anticorpos específicos produzidos contra essas cepas. O trabalho foi publicado na revista Emerging Microbes & Infections e conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Nanjing.

Os pesquisadores selecionaram 100 profissionais de saúde do Hospital da Universidade de Nanjing que receberam duas doses da CoronaVac em fevereiro de 2021. Após nove meses, quando a proteção contra o vírus SARS-CoV-2 reduz naturalmente, independente da vacina aplicada, uma terceira dose de CoronaVac foi administrada em 77 dos indivíduos. Amostras de soro foram coletadas em três momentos diferentes: antes da terceira dose, duas semanas depois e dois meses depois.

A dose de reforço da CoronaVac ativou a memória imunológica em todos os indivíduos. Antes da terceira dose, a titulação média dos anticorpos IgG anti-RBD (domínio de ligação ao receptor) era de 3.278 para o vírus original de Wuhan, 197 para a variante delta e 44 para a ômicron. Após o reforço, a titulação aumentou 17 vezes (para 56.760) contra a cepa original, 577 vezes (113.773) contra a delta e 325 vezes (14.336) contra a ômicron. Dois meses depois, os títulos permaneceram elevados, sendo de 82.666, 56.861 e 9.277, respectivamente.

“Nosso estudo destaca que a terceira dose da CoronaVac pode elevar significativamente as respostas de anticorpos que reconhecem as variantes delta e ômicron, em comparação com as duas doses da vacina. Além disso, a potência, amplitude e duração das respostas adaptativas melhoraram concomitantemente”, apontam os autores.

 

Outras evidências

Um estudo chileno feito com 11 milhões de pessoas mostrou que a terceira dose da CoronaVac fornece uma proteção acima de 85% contra casos graves de Covid-19. Outra pesquisa, também feita no Chile, demonstrou que o reforço com a CoronaVac induziu capacidade de neutralização contra a ômicron em 76,7% dos voluntários.

Além disso, duas doses de CoronaVac já se mostraram suficientes para proteger crianças de 3 a 5 anos durante o surto da ômicron no Chile, com efetividade de 70% contra internações por Covid-19, e na China, reduzindo a chance de desenvolver sintomas e protegendo contra infecção grave. Veja outras pesquisas que atestam a eficácia da CoronaVac contra as variantes do coronavírus.

 

*Este texto é uma colaboração do jornalista científico Peter Moon para o portal do Butantan