Covid-19 pode matar crianças; saiba como a vacinação pode prevenir gravidade e óbitos

Hospitalizações por Covid-19 no público infantil triplicaram em janeiro deste ano em relação ao mesmo período de 2021


Publicado em: 10/02/2022

Em janeiro de 2022, o Brasil registrou 2.122 hospitalizações por Covid-19 em crianças de zero a 19 anos, um aumento de três vezes comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 697 internações, segundo boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. O avanço de casos e de internações nessa faixa etária mostra uma realidade que não pode ser ignorada: as crianças podem ter Covid-19 grave e mesmo irem à óbito pela doença. Afinal, desde o início da pandemia, mais de 1.400 crianças brasileiras de zero a 11 anos morreram devido à Covid-19. No total, o Brasil somou 23.277 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19 em crianças na mesma faixa etária, uma condição grave que pode levar à morte, segundo dados do Sivep-Gripe e do Ministério da Saúde.

Esta realidade preocupa pediatras, que reforçam a necessidade de vacinar as crianças o quanto antes, já que hoje elas estão mais expostas ao vírus por não terem essa proteção. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, inclui apenas crianças a partir dos cinco anos para receber duas doses da vacina contra Covid-19, uma delas a CoronaVac, do Butantan e da Sinovac, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para crianças e adolescentes de seis a 17 anos.

“A carga da Covid-19 em crianças no Brasil está longe de ser negligenciável, com taxas de letalidade e de mortalidade associadas à doença muito maiores do que as registradas em outros países, merecendo um olhar diferenciado e cauteloso por parte das autoridades responsáveis pelas políticas de saúde pública no nosso país”, escreveu em nota a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Segundo a SBP, a análise das taxas de mortalidade (mortes por milhão) de crianças e adolescentes atribuídas à Covid-19, até novembro de 2021, mostrava valores de aproximadamente 41 mortes por milhão no Brasil. Nos EUA, foram 11 mortes por milhão e, no Reino Unido, 4,5 mortes por milhão.

E, dentro deste contexto, são as crianças mais pobres que correm ainda mais risco. No mundo, 91,5% das mortes de crianças e adolescentes pela doença foram notificadas em países de baixa e média renda, locais em que a vacinação desse público ainda não ocorreu, segundo uma revisão sistemática publicada por pesquisadores canadenses na revista PLOS One. O estudo revisou 16 mil artigos científicos e 225 relatórios nacionais de 216 países.

 

Vacina protege as crianças de síndrome grave

Sobre a importância da vacinação nesse cenário, os pediatras consideram que a menor gravidade da Covid-19 em crianças quando comparada com adultos fez com que, infelizmente, houvesse uma subestimação da sua real carga neste grupo etário. “Aumentar o universo de vacinados oferece além da proteção direta da vacina, possibilidade de redução das taxas de transmissão do vírus e das oportunidades de surgimento de variantes”, afirmou a entidade na nota divulgada em 28/12/21.

A falta de vacinação contra Covid-19 no público infantil tem ainda outras consequências para a saúde desta população, como o maior risco de desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), um quadro clínico grave associado a uma resposta inflamatória tardia e exacerbada que, embora seja raro, requer hospitalização e pode levar a óbito.

Segundo dados do Boletim Epidemiológico nº 97 do Ministério da Saúde, até 23/1 de 2022, foram confirmados 1.466 casos de SIM-P associada à Covid-19 em crianças e adolescentes de zero a 19 anos no território nacional. Destes, 88 evoluíram para óbito (letalidade de 6%), 1.223 tiveram alta hospitalar e 147 estão com o desfecho em aberto.

O Hospital Infantil Sabará, localizado na capital paulista, está presenciando um aumento considerável de casos de SIM-P entre as crianças que positivam para a Covid-19 que procuram o hospital. Segundo a pediatra da instituição Caroline Peev, atualmente surgem dois casos de SIM-P por semana. No começo da pandemia, era algo detectado de forma esparsa.

A SIM-P é detectada quando algum sintoma atrelado à Covid-19 permanece na criança mesmo após um mês do diagnóstico positivo para o novo coronavírus, além de outros específicos.

“Os critérios clínicos para diagnosticar a SIM-P é quem testou positivo para Covid no último mês, mas continua apresentando febre, manchas pelo corpo, dor abdominal, aumento de linfonodos no pescoço e de triglicerídeos e marcadores inflamatórios muito altos vistos em exames”, disse a pediatra do Sabará.

 

CoronaVac é segura para o público infantil

A CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, foi recentemente aprovada no Brasil para uso emergencial em crianças de seis a 17 anos. A decisão foi baseada em diversos estudos clínicos que comprovam a segurança e eficácia do imunizante para essa faixa etária. O Dossiê CoronaVac focado em crianças e adolescentes, lançado em janeiro pelo Butantan, apresenta esses dados científicos buscando conscientizar a todos sobre a importância da vacinação de crianças.