Covid-19 em alta: maior circulação do vírus pode contribuir para novos casos de SRAG e SIM-P

Crescimento do SARS-CoV-2 foi observado em 18 estados brasileiros; crianças entre zero e 4 anos são preocupação


Publicado em: 08/06/2022

O Brasil parece estar entrando em uma nova onda de casos de Covid-19, que pode levar a um aumento nos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e Síndrome Inflamatória Pediátrica (SIM-P). Os números de casos de Covid-19 cresceram 73% no período entre 22 e 28/5, quando comparado aos dados da semana anterior. De acordo com as informações do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, mais de 166 mil novos casos foram registrados no final de maio.

Depois de apontar queda até meados de abril, o aumento expressivo foi impulsionado, principalmente, pelas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste. Todas elas superaram os mais de 85 mil casos por cem mil habitantes. Para efeito comparativo, Nordeste e Norte registraram, juntos, 32 mil casos por cem mil habitantes.

Espírito Santo, Minas Gerais, Piauí, Goiás, Ceará, Tocantins, Distrito Federal, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia, Bahia, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, São Paulo e Alagoas foram os estados com as maiores taxas, além do Distrito Federal.

A alta circulação do vírus SARS-CoV-2 tem tracionado os registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Segundo dados publicados no mais recente boletim InfoGripe da Fiocruz, também referente à semana de 22 a 28 de maio, a Covid-19 voltou a ser predominante nos casos com resultado laboratorial positivo para vírus respiratórios, correspondendo a 59,6% dos registros nas últimas quatro semanas.

 

Crianças são preocupação

Em relação à faixa etária de zero a 4 anos, que ainda não está vacinada contra a Covid-19, a incidência de SRAG continua em alta em diversos estados. Apesar de, entre as crianças, a predominância ser do vírus sincicial respiratório (VSR), a presença de SARS-CoV-2 vem aumentando, ainda segundo o monitoramento da Fiocruz.

Quanto à Síndrome Inflamatória Pediátrica (SIM-P), 36% das notificações ocorreram em crianças entre 1 e 4 anos. Caracterizada por uma resposta inflamatória exagerada, que geralmente ocorre alguns dias após a infecção por Covid-19, a síndrome pode se agravar e levar à internação. Do início da pandemia até o fim de maio, 115 crianças e adolescentes de zero a 19 anos morreram devido à SIM-P. Só em 2022, já foram notificados 211 casos, de acordo com o último boletim do Ministério da Saúde.

Em 11/3, o Instituto Butantan protocolou junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) um novo pedido para o uso da CoronaVac na faixa de 3 a 5 anos. Por solicitação do órgão regulador, documentos com resultados atualizados de imunogenicidade e segurança entre crianças de seis meses a 17 anos foram enviados no início de maio. Em São Paulo, estado que mais vacinou o público infantil elegível, mais de 5,8 milhões de doses já haviam sido aplicadas até o início de junho, segundo os números do Vacinômetro.

 

Américas em alerta

Desde o início de abril, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) Carissa F. Etienne já alertava sobre o risco de uma nova onda de coronavírus nas Américas, principalmente devido à linhagem BA.2 da variante ômicron do SARS-CoV-2. Em 5/4, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reportou 7.210 novos casos confirmados no Brasil; em 4/6, já eram mais de 40 mil.