CoronaVac induz produção elevada de anticorpos neutralizantes, mostra estudo brasileiro

Pesquisa foi feita com residentes de Belém, no Pará, e soropositividade chegou a 93% em indivíduos mais jovens


Publicado em: 21/02/2022

Um estudo publicado na revista Vaccines por pesquisadores da Universidade Estadual do Pará (UEPA) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) demonstrou que a CoronaVac induz produção de anticorpos capazes de neutralizar o SARS-CoV-2 em mais de 70% dos imunizados, chegando a 93% em indivíduos entre 21 e 40 anos.

Os cientistas analisaram o soro de 358 residentes de Belém, no Pará, com idades entre 21 e 96 anos, sendo 138 homens e 220 mulheres. Todos foram vacinados com as duas doses da CoronaVac com um intervalo de 20 dias e as amostras de sangue foram coletadas entre março e abril de 2021. O estudo foi publicado em outubro.

Dos participantes, 205 fizeram testes para avaliar o total de anticorpos contra o SARS-CoV-2. Destes, 77,6% apresentaram soropositividade. Os outros 153 indivíduos testaram a presença de anticorpos neutralizantes específicos para o domínio de ligação ao receptor (RBD) e 72,6% tiveram resultado positivo.

Os títulos de anticorpos neutralizantes foram significativamente maiores em indivíduos mais jovens – 93% entre 21 e 40 anos, 76% entre 41 e 60 e 72% entre 61 e 80 anos –, o que pode estar associado à senescência do sistema imune, segundo os pesquisadores. No entanto, além da presença de anticorpos após a vacinação, a imunidade também está associada à resposta das células T e B de memória, que não pode ser detectada pelos testes sorológicos. Outras pesquisas já mostraram que a vacina do Butantan induz resposta significativa dessas células, responsáveis por detectar a presença do vírus e rapidamente reagir com a ativação das células de defesa e a produção de anticorpos.