Conheça a tecnologia D Space, referência entre comunidade científica e utilizada no Sapientia, repositório digital do Butantan

Ferramenta permite uma ampla divulgação das pesquisas, com indexação no Google, e monitoramento de citações


Publicado em: 30/05/2022

Colocar de pé um repositório digital que reúne toda a produção científica de uma instituição com 120 anos não é trivial. Além do esforço humano envolvido na realização de um projeto dessa magnitude, é preciso contar com as ferramentas digitais mais avançadas. É por isso que o Sapientia, repositório do Instituto Butantan, conta, desde sua criação, com uma tecnologia utilizada entre a comunidade científica. O D Space, ferramenta customizável criada por um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), é específico para reunir as produções científicas e disponibilizá-las ao público.

No Brasil, o D Space é representado pelo Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia e utilizado, por exemplo, pela Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Antes do repositório, sentíamos essa carência no gerenciamento de publicações do Butantan, que acabam se espalhando. A nossa intenção é recuperar todos os nossos materiais e colocar em um só lugar”, explica a coordenadora da Biblioteca do instituto, Joanita Lopes, responsável pelo repositório.

E não é só pelo tamanho que o Sapientia se configura um desafio. Tendo como compromisso social o acesso à informação, o portal disponibiliza não só artigos científicos como também produções acadêmicas, educativas, institucionais e temáticas a todos os interessados. Seus dois grandes diferenciais são ser o primeiro repositório da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e permitir a criação de perfis dos pesquisadores, com foto e currículo. “Isso nos coloca à frente, sendo pioneiros nesse trabalho”, diz a coordenadora.

Dentre as vantagens do D Space, estão o autoarquivamento, processo que permite ao pesquisador criar seu próprio usuário dentro da plataforma e realizar a divulgação do seu trabalho. Esse procedimento gera visibilidade ao autor, aumenta suas chances de ser citado e melhora seu índice h, ou seja, sua relevância na comunidade.

Outros aspectos positivos da tecnologia são o gerenciador de referências, que padroniza as pesquisas nas bases de dados bibliográficos, e a indexação no Google, que evidencia as publicações do instituto e cria um link permanente para os dados dos artigos que estão dentro do Sapientia. Isso significa que o endereço referenciado em bibliografias vai, independente da data de acesso, direcionar para a publicação original.

O software também gera indicadores, outro elemento importante que possibilitará o monitoramento da publicação. As métricas indicam quantas vezes os artigos foram citados ou disponibilizados em outros lugares e mostram seu desempenho nas redes sociais.

 

Um tesouro a ser compartilhado com o mundo

O Sapientia surgiu de três principais necessidades: atender às exigências da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), criar uma fonte oficial de informação e discutir política de acesso aberto, dando visibilidade às produções originais do Butantan. “Faz parte da nossa missão tornar o conhecimento do instituto visível e estruturado. Trata-se de um legado da biblioteca e da instituição e, para nós, hoje o repositório representa um dos nossos grandes produtos”, afirma Joanita.

Ela reforça que a missão de incentivar uma cultura de política de acesso aberto depende também da contribuição dos pesquisadores. Faz parte do processo de implementação do repositório naturalizar a prática e o compromisso de publicar na plataforma. E nesse caminho de liberdade e compartilhamento, o Butantan tem o repositório como um tesouro pronto para ser compartilhado com o Brasil e o mundo.