Confiança no combate às novas variantes marca discussões do primeiro dia do Symposium CoronaVac


Publicado em: 29/12/2021

Quando a vacina contra a Covid-19 chegou pela primeira vez aos braços dos brasileiros, em janeiro deste ano, muita gente chorou emocionada e celebrou como se fosse dia de festa ao mostrar a carteirinha com o nome da CoronaVac – vacina do Butantan e da Sinovac que é atualmente o imunizante mais aplicado no mundo contra o SARS-CoV-2. Quase um ano depois, milhares de vidas foram salvas, vencendo as ondas de negacionismo e fake news. Nesta semana, entre terça (7), quarta (8) e quinta (9), pesquisadores brasileiros e de outros cinco países mais uma vez fazem história ao se reunir no CoronaVac Symposium para apresentar as principais conclusões obtidas até o momento sobre a vacina pioneira. Os dados são disponibilizados não apenas aos pares e à comunidade científica, mas à toda a população.

Os desdobramentos da pandemia ainda devem trazer muitos desafios, mas o primeiro dia do encontro internacional foi marcado pela divulgação e discussão de bons resultados sobre segurança, eficácia e efetividade do imunizante, além da expectativa de que a vacina seja atualizada para combater as novas variantes (especialmente a ômicron), a partir de estudos em andamento. 

De acordo com o presidente do Butantan, Dimas Covas, a CoronaVac é um divisor de águas. Ele frisou importância da divulgação científica no evento internacional e reforçou sua confiança total no imunizante. “Esse é um simpósio que ajudará e muito no entendimento dessa vacina que, muitas vezes, foi mal compreendida no Brasil. A vacina que mais ajuda contra variantes, impede o desenvolvimento das doenças e tem uma imunidade duradoura”, afirmou. 

O presidente da Sinovac, Weidong Yin, destacou a importância do simpósio e da parceria com o Butantan para o desenvolvimento rápido de tecnologias de combate às novas cepas do SARS-CoV-2. Em sua fala na abertura do evento, ao lado de Dimas Covas, Weidong Win ressaltou que ainda há muitas incertezas em relação à ômicron, sua taxa de mutação e a possibilidade de escape dos imunizantes. Mesmo assim, já existem evidências de que a CoronaVac é eficaz contra a nova cepa.

“Esperamos ainda mais colaboração para o desenvolvimento mais rápido de imunizantes para novas variantes ou para vacinas de reforço, e temos certeza que com parcerias como a do Butantan vamos ser capazes de enfrentar a Covid-19”, pontuou Weidong Win.

A vice-presidente e líder de pesquisa e desenvolvimento da Sinovac, Yalling Hu, apresentou todo o histórico da criação da CoronaVac desde o início das primeiras pesquisas com vírus inativo e também confirmou que já existem estudos para uma atualização da CoronaVac capaz de combater a variante ômicron.

A Sinovac tem se dedicado a isolar o vírus, partindo de amostras de pacientes de Hong Kong, para poder iniciar os testes de anticorpos neutralizantes. Depois, pretende realizar um ensaio clínico para examinar a eficácia do imunizante. “A mutação é bastante instável no momento e ainda estamos trabalhando na neutralização cruzada da atividade causada pelo coronavírus”, explicou Yalling Hu. 

No Chile, onde quatro milhões de doses foram aplicadas (em primeira e segunda dose) e mais três milhões na dose de reforço, o infectologista Rafael Araos, pesquisador da Universidad del Desarrollo e assessor do Ministério da Saúde do Chile, avalia que houve uma aceitação da vacina bastante alta da população, acima do esperado.  “A aceitação da CoronaVac nos surpreendeu, foi bem mais alta do que o esperado, provavelmente devido à boa tolerância da vacina e uma boa experiência no esquema primário”, explicou Rafael.

A resposta de anticorpos ligantes mantida por um ano depois da vacinação foi outro assunto trazido ao simpósio, pelo médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Esper Kallás. O estudo clínico de fase 3 da CoronaVac desenvolvido no Brasil a partir de julho de 2020 mostrou que os anticorpos ligantes contra antígenos nucleocapsídeos (proteína do núcleo do SARS-CoV-2) permaneceram no organismo em alto nível até 12 meses depois da vacinação. Esses anticorpos são responsáveis por detectar o vírus, induzindo o combate à infecção. Os dados, ainda não publicados, foram divulgados durante o simpósio. 

A esperada vacinação em crianças no Brasil também foi destaques nas palestras de hoje.  Na análise do infectologista Esper Kallás, a vacina do Butantan e da Sinovac é uma candidata que demonstra ser segura e tolerável para a população pediátrica no combate ao SARS-CoV-2. “Temos muitos dados de segurança da CoronaVac”, assinalou o médico, que acredita que os dados da eficácia do imunizante na população pediátrica devem ser positivos. “Nós esperamos que as crianças tenham resposta maior às vacinas em geral”, afirmou. 

A Turquia também marcou presença no evento. Segundo o chefe do departamento de doenças infecciosas da Universidade Hacettepe, Serhat Unal, a CoronaVc apresentou 83,5% de efetividade entre pessoas saudáveis e com comorbidades nos ensaios clínicos realizados no país. “Diante da comprovação de sua segurança e eficácia, a CoronaVac tem sido amplamente usada na Turquia”, reforçou o cientista.

A metodologia pioneira de pesquisa escalonada por conglomerados utilizada no Projeto S, em Serrana, no interior de São Paulo, foi apresentada pelo diretor do Hospital Estadual de Serra, Marcos Borges. Ele reforçou que o estudo de efetividade da vacina CoronaVac ajudará a prever o que deve ocorrer no mundo real em relação à imunização da população em todo o país.

Também participaram do primeiro dia do CoronaVac Symposium o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações e membro do Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Renato Kfouri, e o médico especialista em saúde pública e medicina preventiva da Yale School of Public Health Sten H. Vermund.

O evento internacional online teve transmissão ao vivo, com tradução simultânea e contou com o trabalho de uma ampla equipe do Instituto Butantan para organizar e divulgar notícias em tempo real.

O simpósio será realizado também na quarta (8) e quinta (9), das 8h às 11h (horário de Brasília). À tarde, às 15h, acontecem mesas redondas reunindo os principais pesquisadores do Butantan e grandes nomes da divulgação científica nacional para comentar e repercutir os principais temas abordados nas sessões da manhã.

 

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