Butantan vai atualizar bula da CoronaVac para orientar extração correta das doses


Publicado em: 16/04/2021

Para ajudar a minimizar as perdas na extração das doses de CoronaVac nos postos de vacinação que têm impactado no rendimento da vacina, o Instituto Butantan pretende atualizar a bula do imunizante. O objetivo é orientar os profissionais da saúde sobre as melhores práticas para evitar desperdício.

“Nós entendemos que há três elementos fundamentais para conseguir tirar as dez doses: a agulha preconizada, de 25 mm, a seringa preconizada, que é de 1 ml, e a posição vertical na hora de aspirar as doses”, explica o diretor de qualidade do Butantan, Lucas Lima. Além disso, é preciso extrair o líquido na altura dos olhos, para que seja possível determinar com precisão o volume dentro da seringa.

Nas últimas semanas, a imprensa noticiou que alguns municípios vinham reportando que receberam frascos de CoronaVac com conteúdo menor do que o previsto, de 5,7 ml. De acordo com os relatos, os frascos rendiam menos doses do que as dez indicadas. Todas as denúncias foram investigadas pelo Butantan que, em conjunto com a Vigilância Sanitária, determinou que não há qualquer variação no volume dos frascos de CoronaVac, e que a quantidade de líquido contida nele é suficiente para a extração de dez doses.

Entenda mais sobre como os processos de controle do Butantan que garantem que cada frasco de CoronaVac contém 5,7 ml, quantidade suficiente para a extração de dez doses

De acordo com a investigação do Butantan, o que deve estar acontecendo é excesso de perdas na extração das doses. Por isso, o Instituto divulgou vários comunicados com orientações sobre o manuseio indicado para aspirar o líquido e também pretende atualizar a bula da CoronaVac, com explicações mais detalhadas, imagens e a descrição dos equipamentos preconizados. Também haverá um QR code levando para um vídeo tutorial que ilustra todo o processo. “O Butantan não vai só falar ‘não tem erro aqui’. A gente quer ajudar a minimizar os problemas lá na ponta também”, completa Lucas.

 

Consulte a seguir as instruções de manuseio para a extração da vacina dos frascos que estarão na nova bula:

A vacina adsorvida covid-19 (inativada) deve ser aspirada e administrada por um profissional da saúde, seguindo as orientações abaixo para assegurar a correta técnica asséptica para a aspiração do volume.

• O frasco possui conteúdo suficiente para extração de 10 doses de 0,5 mL

• Utilizando técnica asséptica, limpe o batoque (tampa de borracha) do frasco com algodão de uso único

• Com o frasco em posição vertical (reta) (ângulo de 90°), insira a seringa de 1,0 mL para aspiração da dose. Caso a seringa utilizada seja diferente de 1,0 mL, ou o frasco não esteja em posição vertical, pode haver perda excessiva de volume e impossibilidade de retirada das 10 doses disponibilizadas no frasco

• Introduza a agulha no frasco-ampola na região lateral circundante ao centro delimitado, em locais diferentes a cada aspiração, evitando a parte central da tampa

• Com o frasco-ampola ao nível dos olhos, ajustar a dose de 0,5mL com a agulha ainda conectada ao frasco-ampola. Caso ocorra aspiração de volume superior a 0,5 mL ou haja bolha de ar no interior da seringa, o volume da dose (0,5 mL) deve ser corrigido com a agulha ainda dentro do frasco

• Cada dose deve conter 0,5 mL

• Se a quantidade de vacina restante no frasco não puder fornecer uma dose de 0,5 mL, o frasco deve ser descartado. Não é permitida a mistura de diferentes frascos para compor 1 dose

• Descarte qualquer vacina não utilizada caso o frasco tenha sido aberto em um prazo maior do que 8 horas

• A dose deve ser aspirada imediatamente antes da administração da vacina, não podendo ser previamente preenchida