Ainda não tomou a vacina da gripe? Entenda por que ela é indicada e quais problemas ela pode evitar

Imunizante contra influenza de 2022 protege contra três cepas da gripe, uma delas que causou surto em 2021


Publicado em: 22/06/2022

Diante da baixa adesão à Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza de 2022, promovida pela Ministério da Saúde desde 4/4, que vacinou apenas 49% da população-alvo, ante a meta de 90%, a pasta autorizou estados e municípios a ampliarem a oferta do imunizante para toda a população com seis meses de vida ou mais a partir deste sábado (25). A vacina contra gripe é indicada anualmente para evitar sintomas graves e a mortalidade por influenza de populações consideradas vulneráveis, como os idosos. Apesar disso, a taxa de vacinação deste ano continua muito baixa. 

Segundo dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), do Ministério da Saúde, até 22/6 35,6 milhões de pessoas haviam recebido a vacina, em um público-alvo composto por 77,9 milhões de pessoas. A adesão de idosos e profissionais de saúde foi um pouco maior no período: cada um deles com 55% de vacinados.

“Ano passado, tivemos um surto em várias regiões do país por conta da cepa H3N2. A vacina deste ano já protege contra essa e as cepas passadas. Precisamos combater essas doenças. A vacinação vai impedir a proliferação dos vírus e evitar que tenhamos maior pressão sobre o sistema de saúde”, alertou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em comunicado

Vacina é atualizada e protege contra vírus Darwin

A vacina contra gripe da campanha de 2022 é produzida pelo Instituto Butantan, que entregou 80 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) entre fevereiro e abril. Ela é trivalente, composta pelos vírus H1N1, cepa B e H3N2, do subtipo Darwin, que causou os surtos localizados no fim do ano passado e sobrecarregou o sistema de saúde nacional. O surto levou a uma corrida pela vacina nos últimos meses de 2021, principalmente entre as pessoas que tinham deixado de se imunizar na campanha do ano anterior, quando também houve baixa adesão. 

“As doenças respiratórias se proliferaram principalmente em quem não tomou a vacina”, ressaltou Denise Tambourgi, liderança científica do Instituto Butantan. “Como as pessoas começaram a sair mais, a diminuir o uso de máscaras e o distanciamento, o contágio foi certo”, completou.

Quem tomou o imunizante no fim do ano passado também deve tomar a vacina da campanha de 2022. O vírus da influenza sofre mutações todos os anos e, justamente por isso, as vacinas também são diferentes a cada campanha vacinal. “Com certeza temos que nos vacinar novamente porque os vírus mudam, são sazonais. São variantes que surgem todos os anos e, por isso, a gente toma novas vacinas a cada ano”, afirma Denise.

A composição da vacina da influenza é baseada nos três subtipos do vírus que mais circularam no último ano no hemisfério Sul monitorados e indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os imunizantes são atualizados e usados em campanhas de vacinação anuais – geralmente realizadas antes do inverno, quando aumentam os casos de gripe.

Em 2021, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou em abril e se estendeu até setembro diante da baixa adesão: 72,1% do público-alvo foi vacinado, também longe da meta de 90% de cada população prioritária, segundo dados do SIPNI

Evita problemas graves de saúde

As vacinas contra influenza disponíveis no Brasil são todas de vírus inativado (morto), o que impede o imunizante de causar a doença, e têm eficácia comprovada para evitar óbitos e sintomas graves como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim)

“Pessoas de todas as idades são suscetíveis ao vírus Influenza, porém alguns grupos são mais propensos a desenvolver formas graves da enfermidade. Nesse sentido, destacam-se as gestantes, puérperas, adultos com mais de 60 anos, crianças com menos de cinco anos e indivíduos que apresentam doenças crônicas, especialmente cardiorrespiratórias, obesidade (IMC ≥ 40), diabetes e imunossupressão”, destacou a Sbim em nota técnica.

Outro benefício da vacinação contra influenza é que ela também deve ser considerada como ferramenta para a redução de falsas suspeitas de Covid-19, já que gripe e coronavírus têm semelhanças nas manifestações clínicas, pontuou a Sbim.

Gripe pode matar

A gripe é causada por diferentes tipos de vírus influenza, sendo o A e o B os mais relevantes para humanos. A influenza A é classificada em diversos subtipos, com ênfase para o H1N1 e H3N2, responsáveis pela maioria dos casos. Já o influenza B possui duas linhagens: Victoria e Yamagata.

A gripe, diferente dos resfriados, causados por outros vírus, se caracteriza como uma doença de início súbito, com sintomas como febre, tosse, dor de garganta e de cabeça, coriza, calafrios e tremores. Sua infecção geralmente dura uma semana e os sintomas podem persistir por alguns dias. No entanto, em grupos de maior risco, a doença pode evoluir para complicações respiratórias — a exemplo da pneumonia viral ou bacteriana —, levar à descompensação da doença, no caso de pessoas com doenças crônicas, e até mesmo ao óbito, detalha o documento da Sbim. 

Entre 5% a 10% da população mundial deverá ser infectada com o vírus influenza a cada ano, o que equivale a pelo menos 1 bilhão de pessoas anualmente. Destes, entre 3 a 5 milhões podem desenvolver sintomas graves e até 650 mil morrerem, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a Sbim, as vacinas contra influenza disponíveis são seguras e com eventos adversos leves e esperados como dor no local da aplicação, vermelhidão e endurecimento em até 20% dos vacinados, que desaparecem em até 48 horas.