Acelerar segunda dose pode impedir o aparecimento de novas variantes, afirma Dimas Covas


Publicado em: 11/08/2021

Neste momento, acelerar a aplicação da segunda dose da vacina contra a Covid-19 nas pessoas que já tomaram a primeira dose é mais importante do que ampliar o público da campanha de vacinação e pode impedir o surgimento de novas variantes. Essa é a opinião do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, médico hematologista e professor titular de medicina clínica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Na videoaula online “A pandemia e a vacinação no Brasil e no mundo”, disponível a todos que se interessarem em saber mais sobre o momento atual da disseminação do vírus SARS-CoV-2, Dimas explica, entre outros aspectos, que uma das principais variáveis responsáveis pela queda no número de novos casos e óbitos por Covid-19 é a velocidade da vacinação.

“Do ponto de vista de combate à pandemia, o que seria mais produtivo é acelerar a segunda dose nos indivíduos acima de 18 anos, principalmente diminuir o intervalo entre as doses das vacinas que são usadas nesse momento”, afirma o presidente do Butantan. “Assim, vamos estabelecer um patamar de vacinação completa e atingir mais rapidamente o status de imunidade coletiva. Isso, na minha opinião, é mais importante que ampliar apenas uma dose para outros públicos”, completa ele.



Uma das conclusões do Projeto S, estudo de efetividade que o Butantan realizou no município paulista de Serrana para entender o impacto da vacinação no controle da pandemia, revelou que com a imunização de 70% da população a cidade ficou protegida contra o SARS-CoV-2 - incluindo crianças e pessoas que não podem receber a vacina.

A Coronavac, vacina do Butantan produzida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, tem um intervalo de 21 a 28 dias, preferencialmente, entre as duas doses. De acordo com Dimas, a primeira dose da vacina já propicia um pequeno aumento de proteção para casos mais graves, que exigem internação. Mas o esquema vacinal incompleto não protege contra a elevação no número de casos, o que complica o combate à Covid-19. Até o momento, cerca de 106,5 milhões de pessoas tomaram apenas uma dose em todo o mundo.

O diretor do Butantan apresenta três cenários para os próximos meses. O primeiro, mais pessimista, seria uma nova mutação do vírus, capaz de tornar a Covid-19 ainda mais agressiva, semelhante ao que aconteceu no Brasil quando surgiu a variante gama (P.1, amazônica). “Temos a grande ameaça que é a lambda [C.37, chilena]. É uma variante perigosa porque tem uma resistência à vacina”, alerta. O cenário menos provável é a possibilidade da lambda se tornar permanente e o país ter de rever as vacinas, ou até mesmo revacinar a população já vacinada. 

O melhor cenário, para Dimas, inclui a mutação do SARS-CoV-2 para uma forma menos agressiva. “O vírus evoluir, se tornar menos virulento, e progressivamente ir em direção a sua extinção ou total parada de circulação no mundo. Isso provavelmente aconteceu no curso da gripe espanhola em 1918”, lembra. 

De acordo com o último boletim epidemiológico da Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2, gerenciada pelo Butantan, a variante gama continua predominando no estado de São Paulo, com 89,92% dos casos, seguida pela variante alfa (da Inglaterra, B.1.1.7). A variante delta é responsável por apenas 0,54% e a lambda, por 0,03%.