"CoronaVac produz anticorpos neutralizantes para variantes em níveis altos”, diz pesquisador da USP

"CoronaVac produz anticorpos neutralizantes para variantes em níveis altos”, diz pesquisador da USP


Publicado em: 08/12/2021

A CoronaVac, vacina do Butantan produzida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, produz um alto nível de anticorpos neutralizantes para variantes de preocupação, consideradas as mais transmissíveis, segundo Edison Durigon, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). O pesquisador fez a palestra de abertura das atividades desta quarta (8), segundo dia do CoronaVac Symposium, iniciativa do Instituto Butantan e Sinovac que ocorre online até a quinta (9), das 8h às 11h.

Segundo Durigon, testes de PCR realizados pelo ICB demonstraram que a CoronaVac produz anticorpos neutralizantes em grande quantidade contra as variantes de Wuhan (cepa original do novo coronavírus), gama, beta e delta. E que a proteção dos vacinados com o imunizante se mantém alta cinco meses após a segunda dose.

“O maior número de títulos neutralizantes está entre 30 a 60 dias da vacinação”, assinalou ele. “Até cinco meses nós temos uma quantidade significativa de anticorpos neutralizantes para as três cepas, as variantes beta, gama e delta”, disse.

 

O alto nível de proteção está relacionado ainda com o impedimento de casos graves entre pessoas vacinadas com a CoronaVac, segundo o pesquisador. "O indivíduo vacinado tem uma resposta imunológica muito rápida e essa resposta faz com que a doença não fique grave", disse.

O ICB da USP isolou em 72 horas o vírus SARS-CoV-2 do primeiro caso de Covid-19 detectado no país, de um homem internado em São Paulo com a doença, após uma viagem à Itália em fevereiro de 2020. E depois testou o nível de anticorpos neutralizantes de mais de 800 pessoas entre vacinadas e não vacinadas com um soro extraído do sangue de pessoas infectadas com a Covid-19, depois de recuperadas.

“Fizemos o primeiro isolamento do SARS-CoV-2 no Brasil, do paciente 1. Titulamos a amostra e começamos a usá-la com o nosso controle de neutralização. Ele foi repassado para todos os laboratórios de nível 3 no país e os diagnósticos começaram a funcionar no Brasil. Isso se deu pela facilidade de ter o vírus rapidamente”, contou.

 

Imunidade pós-infecção

O estudo do ICB evidencia ainda que a CoronaVac é capaz de manter alta proteção contra Covid-19 em pessoas que contraem a doença pós-vacinação, conclusão baseada na detecção de altos níveis de anticorpos neutralizantes em infectados até seis meses da vacinação, explicou o cientista.

Durigon deu como exemplo o caso de um homem de 30 anos que tomou a primeira e segunda doses de CoronaVac entre janeiro e fevereiro e se infectou em junho com a variante gama. O nível de anticorpos dele aumentou consideravelmente após a infecção e ele desenvolveu apenas Covid-19 leve – o mesmo ocorreu com quatro pacientes observados que também contraíram o vírus.

“Isso mostra que o indivíduo vacinado mesmo após seis meses que se infecta tem uma resposta imunológica muito rápida que faz com que ele responda à infecção e a doença fique leve, não grave”, afirmou.

 

Consulte a programação do segundo dia do CoronaVac Symposium

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