“Não somos inválidos, somos PCDs e podemos ajudar muitas pessoas", diz analista administrativo do Butantan

Para Alexandre de Lima, campanhas para PCDs nas empresas são essenciais para promover aceitação e igualdade


Publicado em: 18/05/2022

Ouvir e acolher pessoas com deficiência (PCD) para entender suas dificuldades, barreiras e expectativas é dever de todos nós. O Núcleo de Apoio ao Funcionário com Deficiência do Butantan (NAFDE) nasceu com esse objetivo e hoje promove ações voltadas a apoiar, viabilizar e melhorar a rotina de trabalho dos colaboradores e colaboradoras que têm deficiência.

O Butantan possui dezenas de funcionários PCDs, e pretende aumentar ainda mais o quadro. Um desses colaboradores é o analista administrativo Alexandre de Lima. Nos últimos três anos, ele começou a sentir dificuldades para realizar suas funções básicas no dia a dia de trabalho. Foi aí que descobriu que sofre de retinose pigmentar, uma doença genética que atinge a retina.

“Tive medo de chegar no trabalho e explicar o que estava acontecendo comigo. Não queria que isso comprometesse minha carreira no Butantan", diz o analista, que está há 18 anos no Butantan. “Mas quando contei, fui muito abraçado. O instituto me acolheu e vi que podia contar com a ajuda de todos”, completa.

Durante as consultas com psicólogos e médicos do trabalho, ele descobriu um centro para pessoas cegas e com baixa visão, a Fundação Dorina Nowill, que o ajuda na readaptação. 

Segundo Alexandre, campanhas para PCDs nas empresas são essenciais não só para encorajar quem está passando pela mesma situação que ele, mas também incluir a cultura da aceitação e igualdade de direito. Para ele, o preconceito só existe onde não há conhecimento.

 

Pessoas com deficiência no mercado de trabalho

A inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho ainda enfrenta desafios. Segundo os dados mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) divulgado pelo Ministério da Economia, dos 46 milhões de vínculos de emprego formal, somente 486 mil estavam direcionados às pessoas com deficiência, ou seja, menos de 1%.

Em uma pesquisa feita pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do estado de São Paulo, 19% dos PCDs sentem, durante as entrevistas de emprego, que as empresas olham mais para suas deficiências do que para suas habilidades profissionais.