Aluno de escola pública do Ceará é classificado para a Olimpíada Ibero-Americana de Biologia

Apaixonado pelo mundo da biologia, Cícero Miguel Angelo Neto pretende cursar Medicina e se especializar em oncologia


Publicado em: 31/05/2022

Em pouco mais de um ano, o estudante de 17 anos Cícero Miguel Angelo Neto, de Fortaleza (CE), foi surpreendido com duas boas notícias: recebeu a bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para ingressar no Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC-Jr) do Instituto Butantan no início de 2021 e, na última quinta (26), foi um dos selecionados para participar da Olimpíada Ibero-Americana de Biologia, que ocorrerá virtualmente em setembro e será organizada pelo Peru. Cícero teve a oportunidade de participar da seletiva após ter sido um dos 25 medalhistas de ouro da 18ª edição da Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB), organizada pelo Butantan.

“Fico muito feliz porque é um indício de que os meus conhecimentos em biologia progrediram desde o ano passado, quando eu também participei da OBB e recebi a medalha de bronze”, diz Cícero, que é aluno do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará. Ele conta que seu interesse por biologia começou no oitavo ano do ensino fundamental, quando teve um contato mais aprofundado com a disciplina. “Eu me encanto cada vez mais pela biologia à medida que vou aprendendo novos assuntos. Pretendo cursar Medicina e me especializar em oncologia”, completa.

Para a coordenadora nacional da OBB e pesquisadora do Butantan, Sonia de Andrade Chudzinski, a participação de jovens como Cícero na olimpíada é de grande importância para o seu desenvolvimento. “A classificação de um aluno PIC-Jr para a Olimpíada Ibero-Americana de Biologia reforça a importância de ensinar ciências como ela é, ou seja, ensinar o estudante a fazer a pergunta, observar e buscar as respostas. O excelente desempenho do Cícero demonstra que nosso programa está proporcionando esse aprendizado aos seus participantes. Esse conhecimento valerá para toda a vida profissional desses jovens, independente da carreira de escolha”, afirma.

O caminho para chegar até aqui não foi simples. Para Cícero, um dos maiores desafios foi conciliar as suas atividades escolares com os estudos para a olimpíada – principalmente nos últimos meses, quando iniciou um estágio no laboratório da escola. Para se preparar para as provas, Cícero recorreu a livros didáticos na biblioteca de sua escola, além de conteúdos na internet disponibilizados pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Ele também contou com o apoio de seu professor de biologia, que lhe emprestou outros livros.

A paixão pelo mundo da biologia foi a sua principal motivação – e o faz afirmar, com convicção, que participar de olimpíadas científicas é uma decisão altamente acertada. Ele encoraja outros jovens a aceitarem esse desafio. “É uma experiência muito enriquecedora porque, de certa forma, as olimpíadas forçam o aluno a ir além do conhecimento que é normalmente passado no ensino médio. Assim ele pode descobrir assuntos sobre biologia, física, química pelos quais se interessa, e isso pode ajudá-lo a escolher uma profissão na qual ele vai se sentir realizado.”

Iniciação científica júnior no Butantan

No início de 2021, Cícero foi contemplado com uma bolsa de Iniciação Científica Júnior (PIC-Jr) do CNPq, que apoia medalhistas de olimpíadas do conhecimento. Ano passado, a OBB passou a ser incluída no programa e 20 estudantes de escola pública entre os medalhistas puderam ser selecionados para receber a bolsa e ingressar no programa do Butantan. Por enquanto, as aulas ocorrem virtualmente.

“De início foi um choque, porque eu realmente não esperava receber essa bolsa, isso sempre me pareceu algo muito distante, inalcançável. Quando eu soube que consegui, fiquei extremamente feliz, e tem sido uma experiência muito interessante. Nós temos acesso a um vasto material teórico na plataforma do Butantan, inclusive videoaulas gravadas por pesquisadores. É muito legal poder ver como é o dia a dia dentro de um laboratório, saber quais são as técnicas e os equipamentos mais utilizados”, conta.

Além da oportunidade de fazer iniciação científica júnior, ser medalhista de uma olimpíada científica também pode render uma vaga em uma universidade. A Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) disponibilizam vagas olímpicas. As instituições avaliam o histórico escolar e o desempenho no ensino médio para selecionar os alunos.