Jabuti-piranga, um quelônio pacífico e que gosta de sombra e água fresca

Vida mansa e longa, água fresca e descanso ao sol: essa é a vida do jabuti piranga, o parente terrestre das tartarugas


Publicado em: 09/06/2022

É bem possível que você já tenha visto por aí o jabuti piranga (Chelonoidis carbonaria). Essa espécie de réptil está espalhada em algumas regiões do Brasil e da América Central e do Sul. Seu habitat favorito são regiões mais secas e de relevo baixo.

É muito comum confundir jabutis com tartarugas e cágados, por todos serem quelônios com cascos. Mas algumas coisas podem ajudar a diferenciar um de outro: os jabutis são de hábitos terrestres e possuem as patas curtas e bem robustas para suportar seu próprio peso e tem o casco alto e côncavo coberto com placas córneas, por isso andam lentamente.

Quando falamos do jabuti-piranga, outra coisa que chama atenção é que eles possuem uma coloração de escamas muito própria, com cabeça e patas avermelhadas. Não à toa, têm o nome popular de jabuti-vermelho – uma clara diferença em relação a outras espécies de jabutis.

Os jabutis têm hábitos alimentares onívoros (ou seja, comem de tudo), e sua alimentação inclui diversos frutos, insetos, folhagens, flores, carniça e até as próprias fezes. Essa característica faz com que eles tenham um papel importante na dispersão de sementes e regeneração das florestas.

São animais dóceis e tranquilos, que vivem durante muitos anos, podendo chegar aos 100 anos. Talvez por isso, são uma espécie afetada diretamente pelo comércio ilegal: boa parte dos exemplares do jabuti-piranga é criada em cativeiro ao invés da natureza. É considerado uma espécie vulnerável a extinção.

 

JABUTI-PIRANGA

Espécie: Chelonoidis carbonaria, da ordem Testudines, da família Testudinidae e do gênero Chelonoidis.

Onde habita: a espécie é comum nas matas brasileiras, desde o Nordeste (subespécie) até o Sudeste. A sua distribuição estende-se também desde a Colômbia oriental até às Guianas, indo até o Rio de Janeiro no Sul, Bolívia, Paraguai e norte da Argentina a Oeste. principalmente em biomas de baixo relevo e menor umidade.

Características físicas: patas robustas com cinco dedos, casco de placas amareladas e escamas vermelhas espalhadas na cabeça e nas pernas. O macho possui o plastrão (parte ventral) côncava para poder copular com a fêmea.

Alimentação: são onívoros, ingerem qualquer tipo de matéria orgânica, tais como flores, frutos, folhagens, insetos, carniça e fezes.

Reprodução: são ovíparos, as fêmeas escavam seus ninhos no solo (na terra, areia ou sob a vegetação)

 

*Este texto foi produzido com o apoio da coordenadora do Reptiliário e do Biotério Semiextensivo de Quelônios e Lagartos do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, Myriam Elizabeth Velloso Calleffo